ACM Neto, pré-candidato à sucessão do governador Jerônimo Rodrigues pela federação União Progressista, vai se defrontar com um dilacerante dilema no pleito de 2026.
Falo de João Roma, comandante-mor do PL da Boa Terra. O ex-ministro do então governo Bolsonaro quer compor a majoritária oposicionista na condição de vice do ex-prefeito de Salvador.
No staff político do netismo, entre correligionários mais próximos do ex-gestor soteropolitano, a opinião que prevalece é a de que não seria bom ter Roma como vice, um político muito identificado com o bolsonarismo.
A presença de João Roma na majoritária seria um obstáculo para uma eventual crítica de ACM Neto ao ex-morador do Palácio do Alvorada. Roma ficaria emburrado.
Salta olhos que ACM Neto vai ser questionado sobre vários assuntos que envolveram o ex-presidente. Alguns deles indefensáveis, como, por exemplo, o comportamento diante da pandemia da Covid-19, que ceifou a vida de milhares de seres humanos.
Não se sabe a opinião de ACM Neto sobre a trama golpista, muito menos o que pensa em relação ao Supremo Tribunal Federal (STF), mais especificamente do ministro Alexandre de Moraes.
"O processo contra Bolsonaro não é judicial, trata-se de um processo de vingança de forma persecutória". ACM Neto concorda com essa declaração de João Roma em entrevista à rádio Sociedade da Bahia?
ACM Neto vai participar da manifestação do dia 7 de setembro contra o STF e o ministro Alexandre de Moraes? O "Reaja Brasil" vai ser coordenado na Bahia por João Roma.
O engraçado é que a causa principal que fez ACM Neto romper com João Roma foi sua adesão ao bolsonarismo, aceitando ser ministro do então governo. ACM Neto, em decorrência da rejeição de Bolsonaro na Bahia, não queria que a ida de Roma para a Esplanada dos Ministérios prejudicasse sua campanha para o governo do Estado. Lembrando ao caro e atento leitor que Roma é cria política de ACM Neto. Deu no que deu: a criatura rompeu com o criador.
Agora, na sucessão de 2026, cabe ao netismo medir as consequências de ter João Roma como vice de ACM Neto, sob pena do arrependimento se tornar irreversível.

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