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Domingo, 19 de Abril de 2026
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O Renascimento Sombrio do Nazismo: Uma Ameaça Global Oitenta Anos Após a Segunda Guerra Mundial

Coluna Gerson Marques

Gerson Marques
Por Gerson Marques
O Renascimento Sombrio do Nazismo: Uma Ameaça Global Oitenta Anos Após a Segunda Guerra Mundial
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Há 80 anos, o mundo testemunhou a queda do regime nazista, aniquilado militarmente ao final da Segunda Guerra Mundial. O conflito, que ceifou a vida de mais de 70 milhões de pessoas, deixou marcas profundas na geopolítica e na sociedade global. O Holocausto, com o assassinato sistemático de mais de seis milhões de judeus e outras minorias em campos de extermínio, foi o ápice da barbárie, justificada por ideologias de superioridade racial, xenofobia e interesses comerciais.

A Segunda Guerra não foi apenas um embate militar; foi um divisor de águas na história da humanidade. Países foram devastados, economias ruíram, populações inteiras foram deslocadas, e até hoje os traumas desse período ressoam nas culturas e na política global. O que deveria ser um aprendizado definitivo e um alerta contra a intolerância, no entanto, parece ter caído no esquecimento para muitos.

Para as novas gerações, o conflito foi reduzido a filmes e séries com narrativas simplificadas e, muitas vezes, distorcidas. A centralidade dos Estados Unidos como protagonistas absolutos na vitória sobre o nazismo frequentemente apaga o papel decisivo da União Soviética, cujos soldados enfrentaram batalhas brutais como Stalingrado, Kursk e Berlim, pagando o preço de 32 milhões de vidas para conter a máquina de guerra nazista. O Exército Vermelho foi o primeiro a entrar em Berlim, capturando o Reichstag e precipitando a rendição alemã. Isso, claro, não diminui a importância do esforço dos aliados ocidentais, incluindo a invasão da Normandia no famoso Dia D.

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Independentemente de quem venceu a guerra militar, a ideologia do ódio e da intolerância não foi erradicada. O nazismo, que deveria ter sido relegado ao esquecimento e ao repúdio absoluto, está mais vivo do que nunca, ressurgindo de forma camuflada em diferentes partes do mundo.

O Brasil, infelizmente, não está imune a esse fenômeno. Segundo a Polícia Federal, existem no país cerca de 1.200 células nazistas ativas, sendo que 30% delas estão concentradas em Santa Catarina. Os novos grupos evitam declarações abertamente antissemitas, mas se associam a forças extremistas que disseminam discursos de ódio e preconceito sob diversas bandeiras.

No espectro político, há conexões alarmantes entre setores da extrema-direita e simpatizantes dessas ideologias. Em 2021, o então presidente Jair Bolsonaro recebeu em seu gabinete Beatrix von Storch, deputada alemã e neta de um ex-ministro de Hitler, representante da Alternativa para a Alemanha (AfD), um partido com inclinações ultranacionalistas. Gestos simbólicos supremacistas foram identificados em seu governo, como a saudação feita por um de seus assessores dentro do Congresso, criticada pelo Museu do Holocausto.

Além disso, discursos políticos que promovem a facilitação do acesso a armas, como a lei dos CACs, são usados como ferramentas para fortalecer grupos extremistas, que defendem a ideia de que o poder deve ser exercido pela força e pela capacidade bélica.

O fenômeno não se limita ao Brasil. Nos Estados Unidos, grupos supremacistas como a Ku Klux Klan, o Partido Nacional e a White Aryan Resistance (WAR) têm ligações claras com setores políticos. O apoio desses grupos a Donald Trump é explícito, e algumas figuras que participaram de sua campanha têm histórico de envolvimento com ideologias extremistas.

A Europa, berço do nazismo, também enfrenta uma nova onda de manifestações ultranacionalistas. Na Alemanha, Itália e França, discursos sobre superioridade racial, xenofobia contra imigrantes, preconceito contra minorias e negacionismo científico ganham espaço em setores amplos da população. A manipulação das massas por meio de fake news e estratégias de guerra híbrida, conduzida por estrategistas que nem sequer residem nos países afetados, cria um ambiente propício para o retorno de ideologias totalitárias.

A mídia, que deveria ser um pilar contra a desinformação, por vezes se torna conivente com a propagação dessas ideias. Por outro lado, quando tenta conter a escalada extremista, vê-se atacada e ameaçada por políticas autoritárias.

O cenário atual indica que o mundo está diante de um perigoso ressurgimento de ideologias fascistas. A tática atual é usar a democracia para chegar ao poder e, depois, destruir as leis e instituições que regulamentam a vida social, destruindo por fim a própria democracia, desmoralizando suas instituições — como os ataques ao sistema eleitoral brasileiro e ao Supremo Tribunal Federal. O extremismo cresce sob diversas formas, valendo-se da manipulação midiática, do radicalismo político e da ausência de regulamentação na internet, permitindo que fake news e discursos de ódio proliferem sem controle.

O passado nos mostra que o nazismo, quando tolerado, leva a consequências devastadoras. A humanidade precisa reconhecer os sinais antes que seja tarde demais. A derrota militar do nazismo em 1945 não significou o fim definitivo da intolerância nem do ódio. E, neste momento, a pergunta que devemos fazer é: teremos força para enfrentá-lo mais uma vez — inclusive no campo militar?

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