Toda vez que sai uma pesquisa apontando o amplo favoritismo do presidente Lula sobre o senador Flávio Bolsonaro, é um Deus nos acuda para ACM Neto, pré-candidato ao governo da Bahia pelo União Brasil.
A situação lembra o processo sucessório de 2022, quando o então candidato ACM Neto adotou o "nem um, nem outro", referindo-se a Bolsonaro e Lula. Deu no que deu: o ex-prefeito de Salvador (União Brasil) foi derrotado por Jerônimo Rodrigues (PT).
O dilacerante dilema continua. Lembrando ao caro e atento leitor que, na recente pesquisa do instituto Quaest, o placar foi de 68% versus 26%. Uma significativa vantagem do petista-mor sobre o número 1.
A preocupação do netismo faz sentido. Há muitos eleitores que vão votar na reeleição de Lula e na eleição de ACM Neto. Em Lula, porque não querem o retorno do bolsonarismo ao poder maior da República. Em ACM Neto, em decorrência do sentimento de mudança. O PT, com o segundo mandato de JR, passa para mais de 20 anos de governo.
O problema é que o "nem um, nem outro", que já foi testado e reprovado, desagrada não só o bolsonarismo como a direita não bolsonarista, mas que vota em Flávio Bolsonaro por falta de opção. Diria que é a direita que tem juízo, que vem crescendo dia a dia.
O dilema é tão angustiante que leva ACM Neto a colocar em dúvida sua presença na entrega do Título de Cidadão de Salvador a Flávio Bolsonaro.
"A Câmara faz um gesto, uma aprovação de título que me parece justa. Se eu estarei presente ou não vai depender da agenda", disse o ex-alcaide soteropolitano.
Duas coisas chamaram a atenção na declaração de ACM Neto em relação ao título que será entregue ao senador e presidenciável Flávio Bolsonaro: a incerteza quanto à honraria e sua agenda.
A expressão "me parece justa" poderia ser substituída por "é justa essa homenagem". Esse "parece", além de provocar diversas interpretações, leva a oposição a maldosas insinuações. ACM Neto condicionou sua presença na entrega do título a uma sobra em sua agenda, o que leva à inquestionável dedução de que seus compromissos de campanha são mais importantes.
O chega para lá de ACM Neto no presidenciável Flávio Bolsonaro, que faz lembrar o da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro no enteado, vai causando insatisfação no bolsonarismo da Bahia, tendo até repercussão nacional.
Deputados estaduais do PL já cobram de ACM Neto uma posição mais firme, de apoio explícito à pré-candidatura do primogênito do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro.
Já há um começo de movimento no sentido de exigir de João Roma, presidente estadual do PL e pré-candidato ao Senado na majoritária oposicionista, uma cobrança mais incisiva sobre o "murismo" de ACM Neto.
Não se sabe como ACM Neto vai sair dessa enroscada, desse dilacerante dilema. Deve estar conversando com seus próprios botões.

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