Inaugurado no início da década de 1910, o Bar Vesúvio se tornou um dos pontos mais icônicos da cidade de Ilhéus. Localizado em frente à Capela de São Sebastião, conforme Francisco Borges de Barros registrou em seu livro "Crônica sobre a Capitania dos Ilhéus" (1914), o empreendimento foi fundado pelos italianos Nicolau Caprichio e Vicenti Queverini. Originalmente denominado Pastelaria Vesúvio, em homenagem ao famoso vulcão da cidade de Nápoles, na Itália, o estabelecimento rapidamente se tornou um dos locais mais frequentados da cidade, mesmo sendo inicialmente construído com apenas um andar e telhado de duas águas.

Nas fotografias da década de 1920, já é possível ver o prédio com o pavimento superior, simbolizando o crescimento e a popularidade do bar. A história de mudanças de proprietários e reconfigurações do nome do bar é um reflexo das transformações econômicas e culturais de Ilhéus ao longo dos anos. Segundo Raymundo Pacheco Sá Barretto, no livro "Notas de um Tabelião", o bar passou pelas mãos de diversos donos ao longo das décadas. Figueiredo, um português, comprou o bar dos italianos e posteriormente o vendeu para Durval Moreno, que, por sua vez, o repassou a um tal senhor Costa. Após um breve período de fechamento, o espanhol Armando Lorenzo reabriu o bar, que passou a ser conhecido como "Bar Triunfo", conforme documentado por J. Dias em uma fotografia de 1942.

Em 1945, o bar foi adquirido por Emílio Maron, que o renomeou para "Bar Maron", título que perdurou até a década de 1980, quando o suíço Hans Koella adquiriu o prédio e reabriu o local com o nome "Bar Vesúvio". A gestão passou a ser feita por Horst Walter Mayner, outro suíço, e o bar continuou a ser um lugar de encontro importante na cidade.
Na década de 1990, o bar foi arrendado por Paulo César Vieira de Carvalho, conhecido como Badalo, que ficou marcado pela recepção calorosa ao casal Jorge Amado e Zélia Gattai em 1997, quando o escritor recebeu o Título de Cidadão Ilheuense e inaugurou a Casa Jorge Amado. Após a administração de Badalo, o bar foi novamente gerido pelo grupo suíço por dois anos, fechando em 1999. Em 2000, o arrendatário Guido Paternostro assumiu a gestão, e o bar permaneceu sob sua administração até 2017, quando o local foi novamente entregue ao grupo suíço, que continuou a tradição até a atual administração por um novo grupo de empresários.

A história do Bar Vesúvio é mais do que a trajetória de um bar tradicional. Ela reflete as transformações culturais e sociais de Ilhéus e o papel do estabelecimento como um ponto de encontro para artistas, intelectuais e turistas ao longo de mais de um século. O Vesúvio, com suas sucessivas mudanças e adaptações, segue sendo um símbolo de resistência e memória histórica para a cidade.

Fontes:
Raymundo Pacheco Sá Barretto - "Notas de um Tabelião" (1982).
Maria Luiza Heine - "Passeio Histórico na Capitania de São Jorge dos Ilhéus" (2003).
Guido Paternostro - Depoimento pessoal (2025).
Créditos:
Foto 1 - Imagem da internet (entre 1910~1920). [Foto s.i.]
Foto 2 - Foto: A. Fâmula (1928) - Acervo: Ubaldo Senna Filho.
Foto 3 - Foto: J. Dias (1942) - Acervo: Lêda Hora.
Foto 4 - Foto: Francino (1950) - Acervo: Ubaldo Senna Filho.
Foto 5 - Foto: José Nazal (2025)
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