Aprender uma profissão é importante. Saber administrar a própria produção, compreender direitos, organizar finanças e planejar o futuro é essencial. Com essa visão, o Projeto Ilhéus Rural Produtiva desenvolve uma metodologia que vai além da qualificação técnica, oferecendo a todos os seus alunos uma formação cidadã voltada para a construção da autonomia econômica e do desenvolvimento pessoal.
Além dos cursos profissionalizantes oferecidos nos diferentes eixos de formação, todos os participantes recebem 40 horas de atividades do Eixo Formação Cidadã, um componente transversal que amplia o aprendizado e fortalece as possibilidades de inserção produtiva dos alunos. O conteúdo aborda temas como oralidade e compreensão de texto, raciocínio lógico, matemática financeira, saúde e segurança no trabalho, direitos humanos, sociais e trabalhistas, relações interpessoais, orientação profissional e responsabilidade socioambiental, sempre adaptados à realidade de cada comunidade atendida.
Um dos exemplos dessa proposta pode ser observado na Aldeia Igalha, em Olivença, onde acontece o curso de Biojoias Tradicionais, vinculado ao Eixo Economia da Cultura e Criativa. No local, os alunos aprendem com a artesã e professora Lu Carqueija Tupinambá técnicas de produção artesanal que utilizam elementos encontrados no próprio território, valorizando os saberes ancestrais e criando oportunidades de geração de renda a partir da cultura indígena. Paralelamente, participam das atividades de Formação Cidadã, que ajudam a transformar o conhecimento técnico em uma atividade economicamente sustentável.
Sendo uma das responsáveis pelas oficinas de Formação Cidadã na comunidade, a professora Keicera Carvalho Alves destaca o envolvimento dos alunos e a importância de construir o conteúdo a partir das vivências da própria turma. Segundo ela, a receptividade tem sido tão positiva que muitos participantes já demonstram interesse na continuidade das atividades. “Eles têm gostado muito porque as aulas acontecem com base na realidade deles e isso ajuda a tornar a aceitação muito positiva, inclusive, ficam ansiosos pela próxima aula. A matemática é voltada para a parte financeira, para entender como comprar, pagar, poupar e reinvestir. Já o português trabalha a clareza da comunicação e a importância de registrar e anotar tudo o que fazem”, explica.
A professora conta ainda que muitos alunos passaram a enxergar a própria produção artesanal sob uma nova perspectiva após as oficinas. “Alguns vieram me agradecer porque sabiam produzir, mas não sabiam quanto cobrar e nem se realmente estavam tendo lucro. Eu sempre digo que não adianta apenas aprender a produzir. É preciso aprender a investir, entender o que é lucro e o que é investimento. Isso faz toda a diferença para quem quer viver da própria produção”, relata. Para Keicera, contribuir para que as comunidades fortaleçam sua autonomia econômica por meio do conhecimento e da cultura é uma das maiores recompensas do trabalho desenvolvido.

A coordenadora do Programa Manuel Querino em Ilhéus e presidenta da ABIR, Laudicéa Carvalho, destaca que a proposta do projeto é justamente garantir uma formação completa, capaz de preparar os participantes para todas as etapas da vida produtiva. “O ensino técnico é fundamental e representa uma oportunidade concreta de qualificação profissional. Mas nosso compromisso é ir além. Queremos que cada aluna e aluno compreenda como administrar sua produção, organizar suas finanças, conhecer seus direitos e transformar conhecimento em geração de renda. Por isso, a Formação Cidadã está presente em todas as turmas do programa. Não basta ensinar um ofício, é preciso oferecer as ferramentas necessárias para que esse aprendizado se transforme em independência financeira, fortalecimento comunitário e melhoria da qualidade de vida”.
Com essa metodologia integrada, o Projeto Ilhéus Rural Produtiva reafirma seu compromisso com uma formação que respeita as características de cada território, valoriza os saberes locais e amplia as oportunidades de desenvolvimento social e econômico. Mais do que capacitar profissionais, a iniciativa busca formar cidadãos preparados para construir novas perspectivas de futuro para si, suas famílias e suas comunidades. Vinculado ao Programa Manuel Querino, do Ministério do Trabalho e Emprego, o projeto é executado em Ilhéus pela Associação Bariátrica de Ilhéus e Região (ABIR), levando qualificação profissional e formação cidadã a comunidades urbanas, rurais e tradicionais do município.
Para acompanhar as ações do programa e conhecer outras histórias de transformação, siga o Instagram @manuelquerinoios.

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