Não é fácil enfrentar quem está no poder, seja prefeito, governador e presidente da República, principalmente quando pretendem disputar o segundo mandato consecutivo, via instituto da reeleição. A máquina funciona a todo vapor.
O vale-tudo para permanecer no cargo não tem limite, que se dane o equilíbrio das contas públicas. O que prevalece é o ensinamento maquiavélico de que os fins justificam os meios.
O exemplo mais recente de uma caneta poderosa vem do presidente Lula. Ainda bem que é para melhorar a vida de quem mais precisa. A política tem que ser direcionada para quem ocupa a parte de baixo da pirâmide social.
O governo federal acaba de publicar uma medida provisória mudando as regras do setor elétrico, isentando 60 milhões de pessoas e reduzindo a tarifa de 55 milhões de quem ganha de meio a um salário mínimo, que consome até 120 kWh.
O objetivo político da MP é freiar a desaprovação do governo e a queda na popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que já declarou, em alto e bom som, que vai disputar o quarto mandato.
Se a caneta do prefeito e do governador é poderosa, imagine a do presidente da República Federativa do Brasil.
Enfrentar quem está no poder é uma missão muito difícil. O caro e atento leitor indagaria sobre o então presidente Bolsonaro, que foi derrotado na reeleição. Toda regra acaba tendo uma exceção. No caso de Bolsonaro, ele atirou no próprio pé dando debochentas declarações sobre a pandemia da Covid-19, que ceifou a vida de milhares de brasileiros.
Mas não basta só ter a "caneta na mão". Tem que saber usar, sob pena da tinta acabar com medidas que terminam levando o desejo de permanecer no poder por água abaixo.
Concluo fazendo uma comparação com o desenho animado He-Man: "Eu tenho a força!". No caso dos prefeitos, governadores e presidente da República: "Eu tenho a caneta!".

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