Alexandre de Moraes era o "Xandão" do lulismo no Supremo Tribunal Federal (STF). Agora quer distância dele. André Mendonça é o "Mendonção" do bolsonarismo, quer ele bem pertinho.
A colunista política Eliane Cantanhêde, do Estadão, tem razão quando diz que "com Vorcaro no foco, pior para Flávio; com Moraes, Lula que se cuide".
Alexandre de Moraes e André Mendonça, respectivamente o "terrível careca" e o "terrivelmente evangélico", devem explicação não só ao presidente da Alta Corte, Edson Fachin, como também para a sociedade.
A instituição Supremo Tribunal Federal (STF), instância máxima do Poder Judiciário, guardiã da Constituição, não pode ter sua credibilidade evaporada em decorrência de comportamentos reprováveis de seus membros.
O vídeo acima é muito esclarecedor. A opinião do conceituado professor da USP, Beto Vasques, do Instituto Democracia em Xeque, é de que Mendonça está em plena "campanha eleitoral", o que faz lembrar Sérgio Moro na Operação Lava-Jato. O juiz se transformou no maior "cabo eleitoral" de Bolsonaro, então candidato ao Palácio do Planalto.
Os fatos apresentados por Vasques são tão inquestionáveis que teve a concordância de Isabel Kalil, coordenadora do Observatório da Extrema Direita.
Que todos citados no Caso Master sejam afastados: Alexandre de Morais, André Mendonça e Paulo Gonet, Procurador-Geral da República. O que se espera de Gonet é que ele se declare impedido, seguindo o que determina a legislação do Ministério Público.
Edson Fachin, presidente do Tribunal, assumiria o controle das investigações, impedindo vazamentos seletivos, como vem ocorrendo de maneira escancarada.
Flávio Bolsonaro, quando questionado sobre o Caso Master, diz que é "página virada", como tivesse certeza que nada vai acontecer tendo André Mendonça como relator do maior escândalo financeiro da história do Brasil.
Ora, ora, dizer que o Caso Master é "página virada" é um acinte, uma apologia à impunidade, diria até que um deboche com o Ministério Público, STF e a Polícia Federal, três honrosas e imprescindíveis instituições da República.
O primogênito do ex-morador do Alvorada, enteado da ex-primeira dama Michelle Bolsonaro, mente desvaladamente, assentado em um inominável cinismo.
Por que o sigílio bancário do número 1 não foi quebrado? Lembrando ao caro e atento leitor que Flávio esteve pessoalmente com Vorcaro, e na sua residência. A conversa girou em torno de R$ 134 milhões para bancar o filme sobre Jair Messias Bolsonaro. Outro lembrete é que o "honrado" dono do Banco Master já estava usando tornozeleira eletrônica.
Tem também o contato pelo celular pedindo dinheiro: "Irmão, estou e estarei sempre do seu lado, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz", disse Flávio. Obviamente que a "luz" era os milhões de reais.
Vorcaro responde: "Fala irmãozão, estou na Igreja. Terminando te chamo". "Amém", respondeu Flávio. Ora, ora, "irmão", "irmãozão" são palavras que demonstram muita amizade, aproximação e confiança recíproca.
Fizeram o que com os R$ 64 milhões que foram enviados para os Estados Unidos, para o fundo administrado pelo advogado de Eduardo Bolsonaro? Cadê a prestação de contas? Cadê o dinheiro?
Concluo dizendo que a lei é para todos: filho de Luiz Inácio Lula da Silva, de Jair Messias Bolsonaro, ministros do STF, membros do Ministério Público, parlamentares, enfim, para qualquer autoridade.
O preceito constitucional de que "todos são iguais perante a lei" é a viga principal do Estado Democrático de Direito. Do contrário, o caos institucional.
E assim caminha a República Federativa do Brasil.
PS - O próprio André Mendonça, que é relator do Caso Master, admitiu que teve um encontro com Daniel Vorcaro. A conversa foi no Instituto Inter, fundado pelo ministro, que tem sua sede na região da Alameda Santos, cidade de São Paulo.
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