O cenário eleitoral de 2026 desenha estratégias complexas e alianças táticas nos bastidores. De acordo com informações reveladas ao portal bahia.ba por um aliado próximo à família Bolsonaro, sob condição de anonimato, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, traçou uma diretriz para seus aliados na Bahia e no Ceará. A orientação é fazer "tudo o que for possível" para garantir as vitórias de ACM Neto (União Brasil) ao governo baiano e de Ciro Gomes (PSDB) ao governo cearense.
A aposta do candidato bolsonarista é que possíveis derrotas dos atuais governadores do PT — Jerônimo Rodrigues na Bahia e Elmano de Freitas no Ceará — representariam um enfraquecimento estratégico do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesses estados, considerados redutos lulistas históricos.
1. A Lógica Estratégica: Focar no Segundo Turno
A avaliação do núcleo da campanha de Flávio Bolsonaro é que, se saírem vencedores, ACM Neto e Ciro Gomes teriam o poder político para afastar prefeitos dos interiores baiano e cearense da campanha de Lula em um provável segundo turno na disputa presidencial. Essa movimentação teria como objetivo direto diminuir a vantagem de votos que o petista historicamente obtém tanto na Bahia quanto no Ceará.
2. A "Vistas Grossas" para o Voto Casado e o Fator João Santana
Devido a essa leitura estratégica, o Partido Liberal (PL) tem optado por "fazer vistas grossas" para os movimentos realizados por ACM Neto e Ciro Gomes em favor do voto casado com Lula em seus respectivos estados.
Tanto bolsonaristas, quanto carlistas (apoiadores de Neto) e ciristas (apoiadores de Ciro) compartilham da avaliação de que realizar uma campanha antilulista agressiva na Bahia e no Ceará poderia afundar as chances das candidaturas de oposição aos governos estaduais.
Marketing Compartilhado
Curiosamente, essa estratégia semelhante de campanha é comandada pelo mesmo marqueteiro: o jornalista baiano João Santana. Santana, que atuou na campanha presidencial vitoriosa de Lula em 2006, é agora o responsável por conduzir as estratégias de Neto e Ciro contra o PT.
Em território baiano, por exemplo, a campanha liderada por Santana tem contratado influenciadores digitais para declarar o chamado voto “Luleto”, uma soma dos nomes “Lula” e “Neto”. O objetivo central é evitar que a alta popularidade e a paixão lulista no estado se convertam em um voto automático em Jerônimo Rodrigues.
3. As Reações do PT: Monopólio da Imagem e Pecha de "Anti-Lula"
Essa estratégia da oposição tem sido alvo de denúncias na Justiça Eleitoral pelo PT. A legenda alega que Jerônimo Rodrigues é o único aliado formal de Lula no estado e, portanto, detém o monopólio da divulgação eleitoral da aliança com o presidente. O grupo de ACM Neto, por sua vez, rebate afirmando que o movimento “Luleto” é orgânico e popular.
Resposta na TV
Para barrar a estratégia da oposição e garantir a transferência de votos entre Lula e Jerônimo, o PT iniciou sua campanha eleitoral na TV focando em carimbar ACM Neto como “anti-Lula”.
A campanha governista busca relembrar antigas declarações e parcerias de Neto com bolsonaristas na Bahia, além de resgatar um episódio em que o candidato da oposição, há 20 anos, declarou que daria “uma surra” em Lula.
4. O Papel dos Bolsonaristas na Bahia
Ao mesmo tempo, os próprios bolsonaristas na Bahia buscam atuar de forma a não prejudicar a campanha de ACM Neto. A estratégia é deslocar a imagem da família Bolsonaro da figura do ex-prefeito de Salvador em grandes palanques, para não atrapalhar a campanha do União Brasil no estado.
O ex-ministro João Roma (PL), candidato ao Senado na chapa oposicionista, é um exemplo dessa tática. Ele tem evitado pedir votos para Flávio Bolsonaro explicitamente nos palanques de ACM Neto, abrindo exceções apenas em cidades das regiões oeste e sul do estado, onde o bolsonarismo possui maior receptividade.

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