A cena política baiana voltou a desafiar os limites do bom senso e do respeito ao eleitorado. Custodiado no Complexo Penitenciário da Mata Escura e pesando contra si uma condenação de 36 anos e nove meses de prisão, o deputado estadual Binho Galinha (Avante) deu início a uma campanha de arrecadação virtual ("vaquinha") para financiar sua candidatura à reeleição na Assembleia Legislativa da Bahia.
Do Xadrez para as Redes Sociais
A iniciativa, divulgada em suas redes sociais oficiais, pede contribuições financeiras para "fortalecer o trabalho nas periferias". O apelo ocorre no momento em que o parlamentar tem seus bens bloqueados e enfrenta a contested de sua candidatura na Justiça Eleitoral.
Apontado pela Polícia Federal no âmbito da Operação El Patrón como suposto líder de uma milícia atuante na região de Feira de Santana — envolvida em crimes como lavagem de dinheiro, agiotagem, exploração do jogo do bicho e comércio ilegal de armas —, o deputado recorre agora ao bolso do cidadão para bancar sua permanência na política.
As Brechas e a Normalização do Absurdo
Embora a defesa do parlamentar tenha obtido a revogação de uma das ordens de prisão preventiva no Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), o fato concreto é que Binho Galinha permanece preso devido a outros decretos judiciais ainda sob análise do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A tentativa de captação de recursos traz à tona reflexões críticas sobre o processo eleitoral:
- Conflito Ético e Moral: Pedir apoio financeiro à população, especialmente em áreas vulneráveis, enquanto se é condenado por envolvimento com estruturas milicianas e porte ilegal de armas adulteradas.
- Fragilidade Regulatória: A permissividade das regras que autorizam a arrecadação de campanha antes do julgamento definitivo sobre o deferimento ou indeferimento da candidatura pela Justiça Eleitoral.
O episódio não se resume a uma estratégia de marketing político ou necessidade financeira decorrente do bloqueio de bens; trata-se do sintoma de um sistema em que o cárcere se confunde com o palanque. A insistência em manter a arrecadação ativa de dentro de um presídio testa os limites da Justiça e banaliza a confiança do cidadão nas instituições democráticas.
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