Há histórias políticas que terminam quando o mandato acaba. A de Jabes Ribeiro tomou outro caminho.
Em 2026, o ex prefeito de Ilhéus completa cinco décadas de vida pública. São 50 anos desde sua primeira candidatura, em 1976, quando ainda jovem entrou na disputa eleitoral pelo MDB, em plena ditadura militar. Meio século depois, aos 74 anos, continua participando das discussões políticas da Bahia e ocupa a secretaria geral do Progressistas no estado.
A trajetória é inseparável de Ilhéus. Foi na cidade que Jabes construiu sua base política, exerceu quatro mandatos como prefeito, desenvolveu sua militância estudantil e consolidou uma carreira que também passou pela Câmara dos Deputados e por funções de articulação regional e estadual.
Mais do que contar uma sequência de cargos, a história de Jabes Ribeiro ajuda a entender parte das transformações políticas de Ilhéus e do sul da Bahia nas últimas cinco décadas.
Da militância estudantil à primeira eleição
Jabes Sousa Ribeiro nasceu em Itabuna, em 14 de março de 1952, e chegou a Ilhéus ainda adolescente. Foi na cidade que iniciou sua formação política.
Durante os anos de faculdade de Direito, participou do movimento estudantil e chegou à presidência do Centro Acadêmico João Mangabeira, ligado à Faculdade de Direito de Ilhéus, instituição que posteriormente estaria na origem da Universidade Estadual de Santa Cruz.
A Câmara dos Deputados registra sua atuação como presidente do Centro Acadêmico em 1973 e sua formação em Direito entre 1972 e 1976.
A estreia eleitoral ocorreu em 1976. Jabes foi candidato a vice prefeito de Ilhéus pelo MDB, em uma época em que o país ainda vivia sob o regime militar e o MDB concentrava boa parte da oposição institucional.
Aquele primeiro passo seria o início de uma carreira que atravessaria diferentes fases da política brasileira.
Educação e a chegada à Prefeitura
Antes de assumir o primeiro mandato de prefeito, Jabes Ribeiro passou pela administração municipal.
Entre 1980 e 1982, ocupou a Secretaria Municipal de Educação de Ilhéus. Segundo registros biográficos, o período contribuiu para sua projeção política local, inclusive por iniciativas relacionadas à expansão do ensino.
Em 1982, aos 30 anos, venceu a eleição para prefeito de Ilhéus pelo MDB. Tomou posse em 1º de fevereiro de 1983 e permaneceu no cargo até o final de 1988.
Foi uma eleição importante não apenas para sua carreira, mas para a política do município.
Jabes surgiu naquele momento como uma liderança relativamente jovem, com forte ligação com os movimentos sociais e com o ambiente político de oposição ao regime militar.
A experiência no Executivo municipal seria a base para uma atuação regional que ganharia força nos anos seguintes.
O municipalismo como marca política
Um dos capítulos menos conhecidos de sua trajetória, mas importantes para entender sua influência, foi a atuação no movimento municipalista.
Jabes presidiu a Associação dos Municípios da Região Cacaueira da Bahia, a Amurc, e também ocupou posições em entidades ligadas à representação dos municípios.
A experiência ajudou a ampliar sua interlocução para além de Ilhéus.
O político passou a atuar em uma agenda que envolvia não apenas questões locais, mas também interesses comuns dos municípios da região cacaueira, especialmente em um período marcado pela crise da economia do cacau.
Sua atuação regional ajudou a abrir portas em Salvador e Brasília e contribuiu para a construção de uma rede política que posteriormente seria importante em sua passagem pelo Congresso Nacional.
Da Prefeitura para Brasília
Depois do primeiro mandato em Ilhéus, Jabes Ribeiro ampliou sua atuação política.
Em 1989, durante o governo de Waldir Pires, assumiu a Secretaria do Trabalho e Bem Estar Social da Bahia. No ano seguinte, disputou uma vaga na Câmara dos Deputados pelo PSDB.
O resultado foi expressivo.
Jabes foi eleito deputado federal pela Bahia e tomou posse em fevereiro de 1991. A Câmara dos Deputados registra seu mandato entre 1991 e 1995 e sua atuação como vice líder do PSDB em 1992.
No Congresso, participou de comissões relacionadas a temas como trabalho, administração pública, agricultura e política rural.
Também atuou como segundo vice presidente da Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público entre 1991 e 1992 e posteriormente como titular da comissão.
A passagem por Brasília representou uma mudança de escala na carreira. O ex prefeito de Ilhéus passou a participar diretamente dos debates nacionais e ampliou sua capacidade de articulação política.
O retorno à Prefeitura e a consolidação de uma liderança
Em 1996, Jabes voltou a disputar a Prefeitura de Ilhéus.
Foi eleito e iniciou um novo ciclo no Executivo municipal em 1997. Quatro anos depois, conseguiu a reeleição e permaneceu à frente da cidade até 2004. Os registros oficiais da Câmara dos Deputados confirmam seus mandatos municipais entre 1997 e 2001, enquanto os registros eleitorais e históricos de Ilhéus mostram a continuidade do segundo mandato até 2004.
Esse período consolidou uma característica que passou a acompanhar sua carreira: a capacidade de retornar ao cenário eleitoral depois de períodos fora do Executivo.
Após deixar a Prefeitura, Jabes ocupou funções de articulação política e permaneceu ligado aos debates sobre o desenvolvimento de Ilhéus e da região.
Quatro vezes prefeito de Ilhéus
A relação de Jabes Ribeiro com a Prefeitura de Ilhéus ganhou novo capítulo em 2012.
Pelo Progressistas, então PP, voltou a disputar a eleição municipal e venceu.
Assumiu o cargo em 1º de janeiro de 2013 e permaneceu até 31 de dezembro de 2016.
Com isso, chegou ao quarto mandato como prefeito de Ilhéus.
É um feito que coloca seu nome entre os políticos que mais tempo estiveram à frente da administração municipal na história recente da cidade.
Sua trajetória no Executivo pode ser resumida em três grandes ciclos: o primeiro mandato entre 1983 e 1988, dois mandatos consecutivos entre 1997 e 2004 e o retorno entre 2013 e 2016.
Síntese da trajetória de Jabes Ribeiro
| Período | Função | Partido | Principal marco |
|---|---|---|---|
| 1973 | Presidente do Centro Acadêmico | Movimento estudantil | Início da atuação política organizada |
| 1976 | Candidato a vice prefeito de Ilhéus | MDB | Primeira disputa eleitoral |
| 1980 a 1982 | Secretário Municipal de Educação | MDB | Atuação na administração municipal |
| 1983 a 1988 | Prefeito de Ilhéus | MDB | Primeiro mandato no Executivo |
| 1985 a 1986 | Presidente da Amurc | MDB | Fortalecimento da atuação municipalista |
| 1989 a 1990 | Secretário estadual do Trabalho | Governo da Bahia | Ampliação da atuação estadual |
| 1991 a 1995 | Deputado federal pela Bahia | PSDB | Atuação no Congresso Nacional |
| 1997 a 2004 | Prefeito de Ilhéus | PSDB | Segundo e terceiro mandatos |
| 2005 a 2006 | Assessor especial do Governo da Bahia | PP | Atuação na articulação política estadual |
| 2013 a 2016 | Prefeito de Ilhéus | PP | Quarto mandato |
| 2026 | Secretário geral do Progressistas na Bahia | Progressistas | Articulação política estadual e municipal |
A mudança de partidos e a capacidade de atravessar ciclos
Outro aspecto marcante da carreira de Jabes Ribeiro é sua passagem por diferentes partidos.
Começou no MDB, legenda que teve papel central na oposição ao regime militar. Posteriormente, ingressou no PSDB e chegou ao Congresso Nacional pela sigla. Mais tarde, aproximou se do Progressistas, partido pelo qual voltou à Prefeitura de Ilhéus em 2012.
Essa movimentação acompanha diferentes momentos da política brasileira.
Não se trata apenas de uma sucessão de siglas. Em cinco décadas, Jabes atravessou a abertura política, a redemocratização, a Constituição de 1988, a reorganização do sistema partidário, os governos de diferentes correntes ideológicas e a transformação da política municipal e estadual.
É justamente essa capacidade de permanecer ativo em cenários políticos diferentes que ajuda a explicar sua longevidade.
Ilhéus continua sendo o centro da história
Apesar da passagem por Brasília e Salvador, Ilhéus permaneceu como o principal ponto de referência da carreira de Jabes.
Em agosto de 2026, ao escrever sobre seus 50 anos de vida pública, o próprio ex prefeito afirmou que chegou à cidade aos 16 anos e que foi ali que construiu família, amizades e sua trajetória política.
A declaração ajuda a explicar por que, mesmo depois de deixar a Prefeitura, ele continua participando das discussões sobre os rumos do município.
Em 2026, Jabes também participou de encontros políticos em Ilhéus voltados à organização do Progressistas e às eleições. Em maio, por exemplo, esteve em uma reunião da legenda que apresentou as pré candidaturas de Cacá Leão para deputado federal e Igor Dominguez para deputado estadual.
Cinquenta anos depois, a política continua
O ano de 2026 tem um significado especial na trajetória de Jabes Ribeiro.
Em março, lideranças políticas se reuniram em Ilhéus para marcar os 50 anos de sua vida pública. O encontro reuniu representantes da política municipal e estadual e serviu também como demonstração de que o ex prefeito continua exercendo influência nos bastidores da política baiana.
Em entrevista publicada em agosto, Jabes falou sobre sua trajetória e revelou que prepara um livro sobre sua vida política e os bastidores dos diferentes períodos que atravessou.
O detalhe é significativo.
A história que começou com uma candidatura a vice prefeito em 1976 ainda está sendo contada pelo próprio personagem, agora com a experiência acumulada de cinco décadas.
Um político que não se considera aposentado
Aos 74 anos, Jabes Ribeiro continua participando da política.
Em artigo publicado em agosto de 2026, ele explicou que permanece na atividade política porque acredita na capacidade da política de transformar a vida das pessoas. Também reforçou sua ligação afetiva com Ilhéus e seu desejo de continuar contribuindo para a cidade.
Em outro momento recente, durante encontro do Progressistas em Ilhéus, afirmou que não pretende abandonar a política e falou sobre a intenção de atuar para fortalecer seus candidatos nas eleições de 2026.
A atuação atual é diferente daquela exercida quando ocupava a Prefeitura ou uma cadeira na Câmara dos Deputados.
Hoje, seu principal espaço é a articulação.
Como secretário geral do Progressistas na Bahia, Jabes participa das conversas partidárias, acompanha movimentos municipais e estaduais e atua na construção de alianças.
O legado que permanece em debate
Todo personagem com cinco décadas de vida pública carrega um legado que não cabe apenas em uma lista de cargos.
No caso de Jabes Ribeiro, esse legado passa pela participação na política de Ilhéus durante diferentes momentos históricos, pela experiência no Executivo municipal, pela passagem pelo Congresso Nacional e pela atuação no movimento municipalista.
Também passa, naturalmente, pelas disputas políticas, escolhas partidárias e decisões administrativas que marcaram cada período de sua carreira.
É justamente aí que a história ganha dimensão jornalística.
Reconhecer a longevidade de uma trajetória não significa ignorar as controvérsias ou deixar de discutir os resultados de cada governo. Significa compreender que a história política de uma cidade também é construída pelos conflitos, pelas escolhas, pelos acertos e pelos erros de seus protagonistas.
Jabes Ribeiro faz parte dessa história.
Meio século depois, a história ainda está em movimento
Em 1976, quando disputou sua primeira eleição, Jabes Ribeiro tinha pouco mais de 20 anos e entrava na política em um Brasil que ainda não havia recuperado plenamente a democracia.
Cinquenta anos depois, o cenário é completamente diferente.
A democracia foi restabelecida, a política municipal mudou, novos partidos surgiram, novas gerações chegaram ao poder e Ilhéus enfrenta desafios diferentes daqueles de quatro décadas atrás.
Mas Jabes continua presente.
Aos 74 anos, sem mandato eletivo, sua influência está menos relacionada ao cargo que ocupa e mais à experiência acumulada, às relações construídas ao longo do tempo e à capacidade de participar das articulações políticas.
Para uma cidade que se aproxima dos 500 anos, a trajetória de Jabes Ribeiro representa também um capítulo de sua própria história contemporânea.
Cinco décadas depois da primeira eleição, o personagem continua em cena.
E, ao que tudo indica, ainda tem capítulos para escrever.

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