O lulopetismo achava que a conquista do quarto mandato de Lula era só uma questão de tempo, já que a direita bolsonarista deu um chega pra lá em Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo pelo Republicanos.
Digo "direita bolsonarista", porque existe a antibolsonarista, como tem a esquerda antipetista. Ser de direita não é ser Bolsonaro. Ser de esquerda não é ser Lula.
O staff do Partido dos Trabalhadores comemorou efusivamente a escolha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como o pré-candidato do bolsonarismo na sucessão presidencial.
Pelo andar da carruagem, a comemoração da esquerda lulista foi precipitada. Todas as pesquisas apontam um empate técnico entre Lula e o filho número 1 do ex-morador do Alvorada.
A única "certeza" em relação à sucessão do petista-mor é que a eleição terá dois turnos, com uma disputa acirrada entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro. A odienta polarização continua inabalável.
Coloco aspas na palavra "certeza" porque surpresas e sobressaltos são elementos inerentes ao processo político, ao movediço, cruel e traiçoeiro mundo da política.
Quando o resultado de uma eleição é imprevisível, ganha quem errar menos. Um erro pode ser fatal, principalmente faltando poucos dias para o eleitor sufragar seu candidato, quando não há mais tempo para a equipe de marketing reverter a situação.
Outro ponto importante é "invadir" a bolha do adversário, o principal reduto eleitoral, fazendo com que a diferença nas intenções de voto seja menor.
Última pesquisa do instituto Datafolha, divulgada ontem, sábado (7), mostra o amplo favoritismo de Flávio Bolsonaro no segmento evangélico, assim como tem Lula no nordeste.
Se dependesse só do eleitorado nordestino, Lula seria reeleito, quem sabe até na primeira etapa eleitoral. O mesmo raciocínio vale para Flávio nesse nicho cristão, onde o primogênito do ex-presidente tem o dobro de votos do petista-mor.
Concluo dizendo que a eleição presidencial está aberta. A enraizada polarização é um obstáculo para uma terceira via.

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