A merenda escolar nunca foi apenas comida servida em um prato.
Ela representa dignidade, cuidado, acolhimento e oportunidade para milhares de crianças que chegam à escola carregando sonhos, dificuldades e, muitas vezes, a esperança de encontrar ali o alimento mais importante do dia.
As recentes denúncias investigadas pela Polícia Federal sobre supostas irregularidades em contratos da merenda escolar em Ilhéus causam indignação, tristeza e um profundo sentimento de vergonha coletiva. Segundo as investigações, há suspeitas de direcionamento contratual, conluio entre empresas e possível superfaturamento em contratos milionários destinados à alimentação de estudantes da rede pública.
Quando surgem suspeitas envolvendo recursos da educação, não estamos falando apenas de números, planilhas ou contratos administrativos. Estamos falando de crianças. Estamos falando de famílias humildes. Estamos falando do futuro de uma cidade inteira.
É impossível não lamentar profundamente que, mais uma vez, Ilhéus apareça nos noticiários nacionais associada a escândalos, operações policiais e suspeitas de corrupção. Uma terra tão rica em cultura, história, inteligência e potencial humano não merece ser protagonista de páginas negativas. Ilhéus precisa voltar a ocupar espaço pelas conquistas da sua educação, pelo desenvolvimento social, pela geração de oportunidades e pelo orgulho do seu povo.
Nenhuma sociedade evolui quando a infância é negligenciada.
Nenhuma cidade cresce de verdade quando falta transparência na aplicação do dinheiro público.
E nenhum projeto de futuro será sólido enquanto a população continuar convivendo com a sensação de impunidade e repetição dos mesmos erros.
A escola deve ser um ambiente de esperança. A merenda escolar deve significar nutrição, proteção e incentivo à permanência dos alunos em sala de aula. Combater a evasão escolar exige responsabilidade, investimento sério, gestão eficiente e compromisso humano com cada estudante.
O povo de Ilhéus está cansado.
Cansado de escândalos.
Cansado de notícias que ferem a autoestima da cidade.
Cansado de ver sonhos coletivos interrompidos por práticas que precisam ser rigorosamente investigadas e esclarecidas dentro da lei e do devido processo legal.
Mais do que apontar culpados antecipadamente, este é um momento de reflexão profunda sobre qual cidade queremos construir para as próximas gerações. O dinheiro público precisa ter destino sagrado quando se trata de educação. Porque mexer com a merenda escolar é atingir diretamente a parte mais sensível da sociedade: nossas crianças.
Ilhéus tem força para superar esse capítulo.
Tem capacidade para reconstruir sua credibilidade.
Tem inteligência coletiva para transformar indignação em mudança.
Chegou a hora de dizer basta à cultura do atraso, da irresponsabilidade e da banalização do sofrimento social. Precisamos defender uma educação que produza altos índices de aprovação, oportunidades reais, valorização dos professores, escolas estruturadas e crianças motivadas a permanecer estudando.
O futuro de uma cidade começa dentro da sala de aula.
E cuidar da merenda escolar é, acima de tudo, cuidar do amanhã.
Magno Lavigne
Advogado

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