A Câmara Municipal de Vitória da Conquista (CMVC) volta a ser alvo de críticas ao protocolar um Projeto de Lei que propõe elevar o valor do ticket-alimentação para R$ 1.800 destinado a vereadores, servidores efetivos, comissionados e contratados temporários. Hoje, o benefício é de R$ 1.600 — já mais que o dobro do ticket médio pago na Bahia, estimado em R$ 623, segundo a Associação Brasileira das Empresas de Benefícios ao Trabalhador (ABBT).
A proposta partiu da Mesa Diretora da Câmara, composta pelo presidente Ivan Cordeiro (PL) e pelos vereadores Luciano Gomes (PCdoB), Hermínio Oliveira (PP), Dinho dos Campinhos (Republicanos) e Cris Rocha (MDB). O texto, protocolado na última terça-feira (23), detalha que o ticket terá caráter indenizatório, não sendo incorporado à remuneração nem incidindo sobre aposentadorias ou contribuições previdenciárias. Além disso, prevê revisão anual obrigatória nos mesmos índices dos salários dos vereadores e dos vencimentos dos servidores.
Se aprovado, o benefício será mantido mesmo em períodos de férias, licenças gestante, paternidade ou afastamento para tratamento de saúde. No entanto, será suspenso em casos de licenças para interesse particular, mandato classista, candidatura a cargo eletivo ou afastamentos considerados ilegais.
O aumento ocorre num contexto de crescimento expressivo dos salários e benefícios na Câmara. Apenas neste ano, o salário dos vereadores saltou de R$ 12.025,40 para R$ 18.742. Já a verba de gabinete, usada para contratação de assessores e despesas extras, chegou a R$ 50 mil mensais, segundo o site Conquista Repórter.
Enquanto isso, os servidores vinculados à prefeitura de Vitória da Conquista, sob gestão da prefeita Sheila Lemos (União), receberam em 2025 um reajuste de 20% no auxílio-alimentação — bem distante dos valores pagos ao Legislativo. Com a atualização, servidores com jornada de 20 horas semanais passaram a receber R$ 261, os de 30 horas, R$ 391,51, e os de 40 horas, R$ 522,01.
O contraste entre os valores pagos aos vereadores e aos servidores municipais evidencia um abismo crescente entre privilégios políticos e a realidade da maioria dos trabalhadores. O novo projeto reacende o debate sobre responsabilidade e austeridade no uso do dinheiro público em Vitória da Conquista.
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