O novo decreto assinado pelo presidente Lula (PT) reacendeu o debate sobre o papel da primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja, dentro do governo federal. O texto, publicado em agosto, colocou oficialmente à disposição da esposa do presidente toda a estrutura do Gabinete Pessoal da Presidência da República — um órgão com 189 cargos, responsável por organizar agendas, cerimoniais, acervos e até a gestão das residências oficiais.
Com a mudança, o gabinete passa a apoiar também “o cônjuge do presidente da República no exercício das atividades de interesse público”. Na prática, o ato amplia o espaço de atuação de Janja, que, mesmo sem cargo público, tem participado de eventos oficiais e viagens internacionais, com o acompanhamento de uma equipe de apoio custeada pelo governo.
Críticos apontam que o decreto é mais um exemplo do crescimento da influência política e institucional de Janja dentro do Palácio do Planalto. Desde o início do atual mandato, ela tem se tornado figura constante nas agendas do presidente e já foi protagonista de episódios que causaram desconforto diplomático — como sua intervenção durante reunião entre Lula e o presidente chinês Xi Jinping, quando questionou o papel do TikTok.
A ampliação das atribuições da primeira-dama ocorre em um contexto de alta carga tributária e de descontentamento da população com os gastos do governo. Enquanto o contribuinte enfrenta o peso dos impostos e da inflação, o Executivo segue ampliando estruturas e despesas administrativas, agora com previsão de suporte direto às atividades de Janja.
O governo argumenta que o decreto apenas regulamenta a atuação voluntária e não remunerada da primeira-dama, buscando “transparência e clareza” sobre suas funções. Ainda assim, o tema desperta controvérsias. Parte dos aliados de Lula vê o avanço institucional de Janja como desnecessário e politicamente arriscado, lembrando que uma tentativa anterior de criar um gabinete próprio para ela foi barrada por risco de caracterizar nepotismo.
Janja, por sua vez, defende seu protagonismo. Afirma que quer participar mais das discussões e rejeita críticas que, segundo ela, têm origem no machismo. Em declarações públicas, a primeira-dama costuma citar o modelo norte-americano, onde a esposa do presidente possui gabinete e equipe formalizada.
Entretanto, no Brasil, a comparação não convence opositores e parte da opinião pública. A figura de Janja segue no centro de um debate que mistura política, poder e gastos públicos. Enquanto o governo tenta legitimar sua presença nos bastidores de decisões estratégicas, cresce a cobrança por limites claros e pela garantia de que o dinheiro do contribuinte não financie o protagonismo pessoal da primeira-dama
Comentários: