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Domingo, 18 de Janeiro de 2026
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ALBA, A MEDIOCRIDADE EM ALTA DEFINIÇÃO

Editorial

Mandato Bahia
Por Mandato Bahia
ALBA, A MEDIOCRIDADE EM ALTA DEFINIÇÃO
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Já não existem parlamentares como antigamente ao menos não no sentido mais nobre da palavra. 

O que se vê hoje, em larga escala, é a substituição do debate qualificado pelo ruído das redes sociais, da liturgia do cargo pelo exibicionismo raso, e do interesse público por agendas personalistas. 

As redes, que poderiam ser instrumentos de transparência e diálogo, tornaram-se o espelho fiel da mediocridade de muitos mandatos: nelas proliferam fake news, ataques explícitos, narrativas convenientes e uma política performática, mais preocupada com curtidas do que com convicções.

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A lógica é simples e perversa: primeiro eles, depois se sobrar espaço o Estado. Nunca é pelo “vírus” que receberam, nem pelos terceirizados invisíveis, nem pelas maiorias silenciosas. 

A política deixa de ser projeto coletivo e passa a ser projeto individual de poder.
Esse cenário se materializa com nitidez no funcionamento recente da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA). 

O ano legislativo de 2025 foi marcado por tensão permanente entre governo e oposição, sobretudo em torno da celeridade excessiva na tramitação de matérias relevantes. A base governista, amparada pela maioria, recorreu com frequência ao regime de urgência para aprovar projetos do Executivo, muitas vezes em meio a obstruções regimentais e discursos inflamados. 

A oposição, por sua vez, denunciou a supressão do debate qualificado, ameaçando travar pautas como forma de resistência política.

Outro ponto sensível foram as autorizações para contratação de empréstimos vultosos um de R$ 720 milhões e outro de R$ 4,5 bilhões junto ao Banco Mundial. 

Embora defendidos como instrumentos de investimento e desenvolvimento, esses projetos reacenderam o debate sobre o endividamento do Estado, a capacidade de execução e, sobretudo, a transparência na aplicação dos recursos. Não se trata de negar a importância do crédito público, mas de questionar a ausência de um debate profundo, técnico e acessível à sociedade.

A crítica se agrava quando se observa a baixa participação social em decisões estratégicas. Em votações de leis ambientais e urbanísticas, tanto em âmbito estadual quanto municipal, ativistas e comunidades locais denunciaram a falta de escuta prévia e de diálogo efetivo. A política institucional segue decidindo “para” a sociedade, e não “com” a sociedade um vício antigo que persiste sob novas roupagens.

Alguns projetos específicos simbolizam esse desalinhamento. 

A proposta de redução do repasse ao Fundo Especial de Compensação (Fecom) acendeu o alerta da ANOREG/BA sobre o risco de colapso do sistema cartorário. Em outro caso, uma lei estadual que limitava sanções a agentes políticos acabou invalidada pelo STF, expondo fragilidades técnicas e questionamentos éticos na produção legislativa.

Seria injusto, contudo, ignorar os números expressivos da atividade parlamentar. A ALBA encerrou o ano com 114 sessões e mais de 1.800 proposições apreciadas um dos maiores volumes de trabalho dos últimos anos. Leis relevantes foram aprovadas, como o reajuste do magistério (Lei nº 14.880/2025), o Programa de Cuidados para Fibromialgia (Lei nº 14.886/2025) e a Lei Orçamentária Anual, que fixou um orçamento de R$ 70,8 bilhões para 2025, com quase 72% destinados à área social.

Mas aqui reside o ponto central deste editorial: quantidade não é sinônimo de qualidade democrática. A eficiência numérica, quando dissociada do debate público, da transparência e da escuta social, torna-se um indicador vazio. A política não pode ser medida apenas pelo volume de leis aprovadas, mas pela legitimidade do processo, pela clareza das intenções e pelo impacto real na vida das pessoas.

A crise não é apenas institucional; é ética e cultural. Enquanto o Parlamento insistir em confundir velocidade com eficiência e exposição digital com representatividade, continuará distante da sociedade que diz representar. E as redes sociais seguirão sendo, tristemente, o retrato mais fiel de mandatos que perderam o senso de grandeza da função pública.

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