Audios obtidos de encontros internos realizados na catedral da Igreja Universal do Reino de Deus em Salvador revelam a atuação direta de lideranças religiosas e políticas na organização de estratégias eleitorais. As gravações apontam orientações para que fiéis e obreiros fossem utilizados como multiplicadores de votos para candidatos ligados à instituição religiosa e ao partido Republicanos.
O conteúdo veio a público após reportagem do Intercept Brasil, publicada na quarta feira dezessete, com base em audios gravados em abril de dois mil e vinte e quatro. As reuniões detalham um método de mobilização que se apoia na confiança dos membros da igreja e em redes pessoais de relacionamento.
Papel de Márcio Marinho e lideranças locais
Nos audios, o deputado federal Márcio Marinho, bispo da Universal e presidente do Republicanos na Bahia, aparece orientando líderes religiosos a utilizarem listas de transmissão e contatos diretos para ampliar o alcance eleitoral. A estratégia inclui transformar membros da igreja em agentes ativos na conquista de votos.
Além de Marinho, participaram das reuniões o bispo Sergio Corrêa, então responsável pela Universal no estado, o deputado estadual Jurailton Santos, o secretário municipal de Infraestrutura e Obras Públicas de Salvador Luiz Carlos de Souza e o vereador Kênio Rezende.
Atuação direta nos templos e orientação aos fiéis
As gravações indicam que o foco principal da articulação era a capital baiana. O vereador Kênio Rezende é ouvido sugerindo que pastores interrompessem cultos por períodos de dez a quinze minutos para verificar a situação do título de eleitor dos fiéis. O objetivo seria garantir a regularização dos documentos dentro do prazo eleitoral.
Márcio Marinho reforça essa orientação ao afirmar que o trabalho realizado aos domingos deveria ser direcionado a essa mobilização, tratando a ação como essencial para o desempenho nas urnas.
Estratégia de abordagem e expansão do alcance eleitoral
Segundo os audios, os fiéis também deveriam buscar votos fora da igreja, entre amigos e familiares. A orientação era apresentar os candidatos como pessoas próximas e de confiança, evitando inicialmente a imagem tradicional de político, com o intuito de reduzir resistências e fortalecer vínculos pessoais.
As gravações também citam a atuação de lideranças de outros estados, como o bispo Alessandro Paschoal, ligado ao grupo Arimateia em São Paulo, e o bispo Célio Lopes, que teve atuação no Rio de Janeiro antes de se eleger vereador em Santo André.
Conexões nacionais e repetição do modelo
Os audios mencionam ainda figuras de destaque nacional, como o bispo Marcos Pereira, presidente nacional do Republicanos, o fundador da Igreja Universal Edir Macedo e o ex prefeito Marcelo Crivella. O material indica que estratégias semelhantes teriam sido aplicadas em outras capitais, como Fortaleza, onde o vereador Ronaldo Martins também é citado.
As revelações ampliam o debate sobre a relação entre instituições religiosas e processos eleitorais, além de levantar questionamentos sobre o uso de estruturas de fé para fins políticos.
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