A ex primeira dama Michelle Bolsonaro afirmou, na noite desta terça feira, que o ex presidente Jair Bolsonaro apresentou sinais de confusão mental após sofrer uma queda dentro da cela onde está detido na Superintendência da Polícia Federal. Segundo ela, o ex chefe do Executivo não se recorda do acidente nem do período em que permaneceu no chão após bater a cabeça.
Em entrevista concedida após visitar o marido, Michelle relatou que encontrou Bolsonaro com hematomas visíveis no rosto, ferimento no pé e respostas lentas durante a conversa. De acordo com ela, o ex presidente demonstrava dificuldade de memória e não conseguia explicar o que havia ocorrido durante a madrugada.
“Ele sabe que caiu, mas não lembra por quanto tempo ficou caído, não lembra quando acordou. Estava um pouco lento nas respostas”, afirmou.
Preocupação com possível dano neurológico
Michelle destacou que a principal preocupação da família é a possibilidade de um trauma mais grave, já que a cela permanece trancada durante a madrugada, o que pode ter atrasado o socorro.
“A gente não sabe se ele teve algum trauma, se teve algum dano neurológico. Essa é a nossa preocupação, se existe algum coágulo”, declarou.
Diante da repercussão do caso e do agravamento do quadro clínico, o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes autorizou, na manhã desta quarta feira, que Jair Bolsonaro seja levado ao hospital DF Star, em Brasília, para a realização de exames como tomografia, ressonância magnética e eletroencefalograma.
Críticas à rotina na prisão
A ex primeira dama também fez duras críticas às condições de custódia do ex presidente, alegando que o estado de saúde dele exige acompanhamento médico constante, especialmente por conta do histórico cirúrgico e de problemas respiratórios.
“Ele está sendo negligenciado, ele está sendo torturado. Ele fica em um quarto trancado que só é aberto quando precisa tomar medicação. A primeira medicação é às 8 horas da manhã. Isso nos preocupa muito”, afirmou.
Michelle relatou ainda que Bolsonaro sofre de refluxo, apneia do sono e passou por uma cirurgia extensa no passado, o que tornaria inadequada a ausência de um profissional de saúde em tempo integral.
“Ele precisa de um enfermeiro ali dentro do quarto. Ele não tem uma alimentação comum, tem necessidades específicas”, acrescentou.
Ataques ao STF e à Procuradoria Geral da República
Durante a entrevista, Michelle direcionou críticas diretas ao ministro Alexandre de Moraes e ao procurador geral da República Paulo Gonet. Ela afirmou temer que a situação possa evoluir para um desfecho trágico.
“Não é possível que mais uma vez tenha sangue de inocente nas mãos dessas autoridades. Já houve uma vida ceifada, a do Clezão, e a gente não quer que isso aconteça com o presidente”, disse.
A defesa de Jair Bolsonaro ainda não informou se pretende solicitar novas medidas judiciais após a realização dos exames médicos autorizados.
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