Era o dia 1º de novembro de 2005, e a Associação Comercial e Industrial de Ilhéus comemorava seu 93º aniversário em uma bonita festa no salão nobre de sua sede. O presidente, José Leite, convidara o acadêmico, advogado, jornalista e poeta João Hygino Filho para proferir a palestra magna sobre a fundação da instituição e seus idealizadores. O salão estava cheio, e eu, Alberto Albagli, Valério Magalhães e Marcos Correia estávamos ao fundo, encostados no piano. Alguém comentou: “Está calor e o ar-condicionado não está dando conta, e Hygino vai se alongar”. Não lembro quem disse, apenas que Valério respondeu: “Hygino afirmou que será breve, no máximo 20 minutos”. De fato, ele cumpriu o prometido e foi preciso, falando dentro do tempo combinado.
Após a palestra, vieram as homenagens de praxe — diplomas, medalhas e reconhecimentos a pessoas que muito contribuíram para o engrandecimento da casa. Encerrada a cerimônia, o presidente convidou todos para o coquetel de confraternização no salão ao lado. Durante o evento, o subcomandante da 18ª CMS, Major Ewerton, aproximou-se e pediu: “Nazal, ouvi o palestrante mencionar que há um neto do Coronel Misael Tavares presente. Pode me apresentar a ele?”. Atendi prontamente, chamei Gilberto e fiz a apresentação. Logo depois, passei a conversar com Júlio Adolpho, próximo ao busto de Misael.
Foi nesse momento que senti uma forte sudorese fria e um desconforto que rapidamente se transformou em dor intensa no peito e secura na boca. Pedi água, bebi refrigerante, mas a sede não passava. Consegui um pouco de água de coco, e a dor aumentou. De repente, uma luz interior me alertou: “Você está tendo um infarto”. Olhei para Valério Magalhães e disse: “Valério, estou tendo um infarto, vou para o hospital”. Ele respondeu: “Vou com você”. Ao sair, encontrei o presidente José Leite e comuniquei a ele. Segui para o antigo Hospital Bartolomeu Chaves. Fui sozinho.
No caminho, liguei para Lucinha pedindo que avisasse Marisa e seguisse para o hospital. Fui atendido pelo técnico de enfermagem Almir Carvalho, que prontamente chamou a dra. Luciene. Logo depois, fui encaminhado à UTI do Hospital São José, onde a dra. Vitória estava de plantão. Lembro que a enfermeira Daniela Navarro aplicou o medicamento (Metalise). Pela manhã, fui atendido pelo dr. Ademir Hildo de Medeiros. Após quatro dias na UTI, segui para Salvador, onde realizei o cateterismo e a angioplastia com o dr. José Raimundo Brito.
Hoje, passados 20 anos daquele episódio, só posso agradecer. Agradecer a Deus, em primeiro lugar, e a todos que, direta ou indiretamente, me ajudaram a permanecer vivo para contar essa história, cheia de lembranças e aprendizados. Todos os dias louvo e agradeço ao Deus Pai, ao Deus Filho e ao Deus Espírito Santo.
“Até aqui nos ajudou o Senhor.” (1Sm 7,12)
— José Nazal
Fotógrafo
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