Ilhéus, no Litoral Sul da Bahia, conquistou oficialmente o título de Capital Nacional do Cacau e do Chocolate, consolidando sua posição como o maior polo de referência da cacauicultura e da produção de chocolates finos no Brasil. A conquista foi aprovada pela Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado Federal, nesta quarta-feira (12), através do Projeto de Lei 4402/2023, de autoria da deputada Lídice da Mata (PSB-BA), com relatoria do senador Angelo Coronel (PSD-BA). O texto segue agora para sanção presidencial.
A Bahia é o segundo maior produtor de cacau do país, e Ilhéus representa o coração dessa produção, com milhares de famílias envolvidas na cadeia produtiva que movimenta a economia regional e impulsiona o turismo temático. O cacau do sul da Bahia é reconhecido internacionalmente pela sua qualidade superior, sendo usado por marcas de chocolates premiados em feiras e concursos nacionais e internacionais.

Nos últimos anos, a cidade tem atraído cada vez mais turistas com a Rota do Cacau e do Chocolate, circuito que percorre fazendas históricas, fábricas artesanais, lojas especializadas e espaços culturais dedicados à história do fruto que transformou a região. Entre os destaques estão as visitas guiadas às fazendas centenárias de cacau, que combinam experiências gastronômicas, hospedagem rural e vivências sobre o cultivo sustentável e a produção bean to bar — do grão à barra.
De acordo com Lídice da Mata, a proposta reconhece o papel histórico de Ilhéus na formação econômica e cultural da Bahia. “A cidade ajudou a construir a história da cacauicultura no país e hoje representa um modelo de desenvolvimento sustentável, unindo tradição e inovação”, afirmou a parlamentar.
Além do aspecto econômico, a cidade vem se destacando pela produção sustentável e orgânica de cacau, com produtores locais adotando práticas de reflorestamento, sistemas agroflorestais e valorização das comunidades rurais. Essa transição tem fortalecido o setor, atraindo investimentos e estimulando o crescimento do chamado turismo de experiência, voltado para o contato direto com a natureza e a cultura local.

A trajetória do cacau no sul baiano remonta ao século XVIII, e Ilhéus viveu o auge da economia cacaueira entre o final do século XIX e o início do XX — período que inspirou as obras de Jorge Amado, como Gabriela, Cravo e Canela e Terras do Sem Fim. Hoje, a cidade resgata esse legado em eventos como o Festival Internacional do Chocolate e Cacau, que reúne produtores, chefs, turistas e empreendedores de todo o mundo.
Com o novo título, Ilhéus reforça sua vocação como referência nacional em cacau, chocolate e turismo sustentável, ampliando sua visibilidade e fortalecendo a economia criativa da região.
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