O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou e publicou no Diário Oficial da União a lei que reconhece Ilhéus, no Litoral Sul da Bahia, como Capital Nacional da Rota do Cacau e do Chocolate. O projeto é de autoria da deputada federal Lídice da Mata e foi aprovado pelo Congresso Nacional ao longo deste ano.
O título nacional consolida Ilhéus como símbolo histórico, econômico e cultural da cacauicultura brasileira. A cidade teve papel central na introdução, expansão e consolidação do cultivo do cacau no país, atividade que moldou o território, a economia e a identidade de toda a região sul baiana.
Para a deputada Lídice da Mata, a sanção representa um reconhecimento justo a um município que ajudou a construir uma das mais importantes cadeias produtivas do Brasil. Segundo ela, a proposta valoriza Ilhéus não apenas pelo passado, mas também pelo presente e futuro ligados ao turismo, à cultura e à produção de chocolates de alto valor agregado.
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Ilhéus iniciou sua trajetória cacaueira ainda no século XVIII, quando as primeiras mudas de cacau chegaram à região. No final do século XIX e início do século XX, o município se transformou em um dos maiores polos produtores do mundo, vivendo o auge da economia do cacau. Esse período marcou profundamente a cidade, com a construção de casarões, portos, estradas e fazendas que até hoje integram a paisagem regional.
As grandes fazendas de cacau, muitas delas ainda em funcionamento, foram responsáveis por consolidar Ilhéus como referência nacional. Propriedades históricas, que utilizam o sistema cabruca, método tradicional que preserva a Mata Atlântica, mantêm viva a herança produtiva e cultural do cacau. Esses espaços hoje integram roteiros turísticos que permitem ao visitante conhecer desde o plantio até a transformação do fruto em chocolate.
A relevância histórica da cacauicultura em Ilhéus também foi eternizada na literatura brasileira, especialmente nas obras de Jorge Amado. Romances como Gabriela, Cravo e Canela e Terras do Sem Fim retrataram o cotidiano das fazendas, os coronéis do cacau, os conflitos de terra e a riqueza que moldou a sociedade local, projetando Ilhéus para o cenário nacional e internacional.
Nos últimos anos, a cidade passou a se destacar também pela produção de cacau de qualidade superior e pelo fortalecimento do chocolate de origem. Pequenos e médios produtores investiram em práticas sustentáveis, cultivo orgânico e processamento artesanal, resultando em chocolates finos reconhecidos no Brasil e no exterior. Esse novo ciclo produtivo alia tradição, inovação e responsabilidade ambiental.
A criação da Rota do Cacau e do Chocolate transformou esse patrimônio histórico em ativo turístico. O roteiro reúne fazendas centenárias, fábricas de chocolate, museus, centros culturais e experiências gastronômicas que contam a história do cacau e sua influência na identidade regional. O título nacional tende a ampliar a visibilidade do destino e atrair novos investimentos em infraestrutura e promoção turística.
Com a sanção da lei, Ilhéus consolida seu papel como guardiã da memória do cacau no Brasil e como protagonista de um novo modelo de desenvolvimento, que une história, cultura, sustentabilidade e economia criativa.
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