Após quase dez anos de filiação, o ex-ministro e ex-governador Ciro Gomes comunicou à direção nacional do PDT sua decisão de deixar o partido. O gesto marca o fim de um ciclo político iniciado em 2015 e abre caminho para novas articulações em torno das eleições de 2026.
De acordo com fontes próximas ao pedetista, Ciro enviou uma carta de desligamento ao presidente nacional da legenda, Carlos Lupi, na manhã desta sexta-feira (17). Na mensagem, o ex-presidenciável teria agradecido aos militantes e dirigentes, mas destacou que “chegou o momento de seguir outro caminho político”.
Destino ainda indefinido, mas oposição ao PT é certa
Nos bastidores, interlocutores de Ciro afirmam que ele avalia convites do PSDB e do União Brasil, duas siglas que pretendem reconstruir um campo de centro-direita moderado com potencial para enfrentar o Partido dos Trabalhadores (PT) na disputa presidencial de 2026.
O ex-ministro tem mantido conversas discretas com dirigentes das duas legendas, especialmente em torno da construção de uma frente ampla de oposição ao governo Luiz Inácio Lula da Silva.
Fim de um ciclo no PDT
Mesmo sem o pedido formal de desfiliação, integrantes do diretório nacional do PDT admitem que a saída de Ciro é “irreversível”. A relação entre o ex-ministro e parte da cúpula pedetista vinha se deteriorando desde o último pleito presidencial, quando Ciro obteve apenas 3% dos votos válidos e passou a criticar publicamente alianças da sigla com o PT em alguns estados.
Ciro foi um dos principais nomes do PDT nas últimas décadas, disputando as eleições presidenciais de 2018 e 2022. Em 2018, conquistou mais de 13 milhões de votos, alcançando o melhor desempenho do partido desde Leonel Brizola em 1989, e ajudando a legenda a formar uma das maiores bancadas da sua história recente.
Novo cenário político
A possível migração de Ciro para outro partido deve reconfigurar o tabuleiro político da oposição, especialmente no Nordeste, onde o ex-ministro ainda mantém forte influência.
Analistas políticos avaliam que a movimentação pode fortalecer um bloco alternativo à polarização entre PT e bolsonarismo, com o objetivo de atrair o eleitorado moderado e urbano nas eleições de 2026.
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