Começa hoje no Supremo Tribunal Federal (STF) os depoimentos mais esperados sobre o processo da tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023, que tem o ex-presidente Bolsonaro como réu.
O primeiro a depor é o ex-comandante do Exército general Marco Antônio Freire Gomes. Na próxima quarta-feira, é a vez de Carlos Almeida Baptista, ex-comandante da Aeronáutica.
O depoimento dos dois comandantes pode piorar ainda mais a situação de Bolsonaro, cuja inelegibilidade já foi decretada pela instância máxima da Justiça Eleitoral, o TSE.
Lembrando ao caro e atento leitor que Freire Gomes e Carlos Baptista disseram a Polícia Federal que o ex-chefe do Palácio do Planalto se reuniu com os comandantes das Três Forças Armadas para apresentar a proposta da minuta do golpe.
Esses dois depoimentos podem reforçar o argumento de que Bolsonaro teve uma participação direta na trama golpista, ferindo de morte o imprescindível Estado Democrático de Direito e a nossa Lei Maior.
As consequências políticas desses dois depoimentos são muitas. Citando apenas uma, sendo dúvida a principal, é o fortalecimento do chamado "Grupo dos 4", formado pelos governadores e presidenciáveis Tarcísio de Freitas (Republicanos), Ronaldo Caiado (União Brasil), Ratinho Júnior (PSD) e Romeu Zema (Novo), respectivamente gestores de São Paulo, Goiás, Paraná e Minas.
Outro lembrete é que o quarteto de postulantes à Presidência da República tem como posição unânime a de não aceitar o projeto familiar de Bolsonaro, seja com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro ou o filho Eduardo Bolsonaro, deputado federal licenciado que mora nos EUA.
Agora é esperar os depoimentos dos comandantes para uma análise mais consistente.

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