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Segunda-feira, 09 de Marco de 2026
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Política

O SABOR DO SENADO E A SABEDORIA DO CORONEL

Coluna Hélio Ricardo

Hélio Ricardo
Por Hélio Ricardo
O SABOR DO SENADO E A SABEDORIA DO CORONEL
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Corre à boca pequena dessas que nunca aparecem em ata, mas circulam soltas nos corredores do poder que um senador baiano teria confundido sede política com direito adquirido. Dizem que era Ângelo Coronel. Dizem. Nada confirmado, claro.

Segundo versões que escapam dos salões climatizados e chegam ao cabaré político, o Coronel passou a acreditar que seu apetite por reeleição era maior do que a própria mesa posta. Queria o Senado com sabor de prato principal, sem dividir travessa, sem rodízio, sem garçom dizendo “vamos esperar os outros”.

Sabor Senado, dizem, em porção individual.

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Mas política, como boa cozinha baiana, não aceita improviso demais. É panela de pressão ligada o tempo todo. E aí veio o detalhe que ninguém gosta de engolir: a chapa puro-sangue do PT segundo interlocutores bem informados resolveu fechar o cardápio com dois nomes da casa. Dois. Sem espaço para convidados extras.
Resultado? 

O Coronel teria se sentido deslocado, fora do PSD e mais desconfortável do que garfo sem faca em almoço de domingo.

É nesse ponto que entra Otto Alencar personagem que parece saído de uma crônica antiga, desses que falam manso enquanto o fogo ainda está alto. Otto, dizem, tentou explicar com a serenidade de quem já viu muita feijoada desandar que neutralidade partidária, naquele contexto, seria praticamente “afundar o partido de vez”.

Tradução livre dos bastidores: misturar todos os temperos sem receita costuma dar ruim.

O problema ainda segundo relatos é que Coronel queria mesa exclusiva. Um prato onde ninguém contestasse o tempero. Otto, por outro lado, lembrava que partido tem compromissos, alianças e preferências. Neutralidade ali seria como servir acarajé sem vatapá: até mata a fome, mas ninguém respeita.

E aí começam as especulações.
Fala-se que, no meio dessa sopa de lealdades e amuos, o Coronel passou a flertar com outra cozinha. Talvez a da oposição. Talvez a de ACM Neto, que, dizem, teria cadeira vaga, feijão no fogo e disposição para receber o novo comensal.

Otto, sempre elegante, manteve o discurso público afinado. De um lado, gratidão e respeito. Do outro, a velha máxima da política baiana dita com a tranquilidade de quem conhece o jogo: respeito não é sinônimo de concordância. E amizade não obriga ninguém a engolir prato mal temperado.

No fim das contas se política fosse comida essa história seria uma feijoada que começou prometendo sabor de Senado, passou por crise de tempero, quase virou caldo ralo e ainda não encontrou a receita final.

E se alguém pergunta o que Otto realmente disse sobre tudo isso, a resposta atribuída a ele circula firme pelos bastidores:

“Nenhum partido neutro vai pra absolutamente lugar nenhum.”

Frase curta. Direta.
Tão certeira quanto dendê na panela certa.

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