Quando eu era menino, acreditava que a vida era mágica. E como não acreditar?
Cresci cercado de amor, cuidado e proteção. Meu pai, Elio de Jesus, o querido Elinho, era um homem extraordinário: trabalhador, honesto, divertido e dono de um coração gigante. Daqueles que iluminavam qualquer ambiente apenas com a sua presença.
Minha infância foi simples, mas extremamente rica. Rica em afeto, música, sonhos e boas pessoas.
Eu era inquieto, curioso, criativo e cheio de energia. Transformava qualquer dia comum em uma aventura.
Mas a vida também nos ensina através das tempestades.
Quando eu tinha apenas 14 anos, perdi meu pai. Foi cedo demais para perder um herói. Naquele momento, precisei assumir responsabilidades que não combinavam com a idade de um menino. E foi justamente nessa fase que passei a enxergar ainda mais a grandeza da mulher que sempre esteve ao nosso lado.
Minha mãe, Airam Maria.
Falar dela é falar de resiliência, inteligência, fé e amor.
Uma mulher que conheceu as dificuldades desde cedo. Trabalhou na feira, enfrentou o sol, carregou latas d'água na cabeça e aprendeu que a vida exige coragem. Quando perdeu meu pai, poderia ter desistido. Mas escolheu lutar.
E venceu.
Criou seus filhos com dignidade, honestidade e amor.
Eu, o primogênito.
Léo, o filho do meio.
E Eliã, a caçula, nossa querida Neguinha, que se tornou uma verdadeira leoa.
Mainha segurou nossa casa quando tudo parecia desabar. Muitas vezes escondendo as próprias lágrimas para que nós não perdêssemos a esperança. Foi ela quem nos ensinou que caráter vale mais do que dinheiro e que o amor se demonstra muito mais nas atitudes do que nas palavras.
Com o passar dos anos, sua força e dedicação transformaram sua própria história. A mulher simples que venceu tantas batalhas tornou-se uma referência na educação de Ilhéus.
E, convenhamos: quem não conhece a maestrina e professora Airam Maria?
Falando um pouco de mim, sempre fui um sonhador. Gostava de aprender de tudo. Cozinhava, fazia bolos, compunha músicas, inventava projetos e sonhava acordado. Estudar nunca foi exatamente o meu forte, mas nossa casa era uma verdadeira escola.
Entre músicas, conversas, livros e revistas como Manchete, Veja, Marie Claire e Amiguinhos, fui me tornando autodidata. Aprendi observando, ouvindo e vivendo.
A vida foi a minha grande universidade.
Com o tempo, me tornei músico, produtor musical, compositor, designer, diretor de vídeo, cozinheiro, empresário e publicitário. Descobri que o conhecimento não mora apenas nos diplomas, mas também na curiosidade, na experiência e na vontade de evoluir.
Ao longo da caminhada, também enfrentei perdas dolorosas. Perdi meu irmão, um dos maiores artistas que Ilhéus já conheceu em talento, versatilidade e simpatia.
Sua ausência ainda ecoa entre aqueles que tiveram a sorte de conhecê-lo.
Perdi também pessoas muito especiais, como minha sogra Edith Oliveira Costa, minha outra mainha, e minha querida tia Sandra, que partiu cedo demais.
A saudade, às vezes, aperta o peito. Mas o amor que elas deixaram continua vivo dentro de nós.
E Deus, em Sua infinita bondade, também me presenteou com grandes alegrias.
A maior delas foi encontrar Nice Bezerra, minha esposa, companheira, amiga, empresária e amor da minha vida. Ao seu lado construí uma família e recebi o maior dos presentes: nosso filho, Eric Ricardo.
Eric é motivo de orgulho, esperança e gratidão. É daqueles presentes que fazem a gente acreditar que o futuro sempre pode ser melhor.
Hoje, aos 56 anos, olhando para trás, percebo que nada foi em vão.
As lutas me fortaleceram.
As perdas me humanizaram.
As conquistas me ensinaram gratidão.
E a fé me manteve de pé.
Quando penso em tudo o que vivi, em tudo o que construí e em tudo o que ainda sonho realizar, uma imagem sempre surge primeiro: a de minha mãe.
Mainha, Airam Maria, você sempre foi e sempre será a minha maior inspiração.
Se existe algo de bom em mim, há muito do seu exemplo.
Sua força corre em minhas veias.
Sua coragem ilumina meus caminhos.
Seu amor construiu a minha história.
Antes mesmo de eu acreditar em mim, você já acreditava.
E esse foi o maior presente que uma mãe poderia dar a um filho.
Por fim, Deus ainda nos presenteou com Louise Vitória, filha da minha querida tia Sandra. Uma jovem especial, que carrega a continuidade de um amor que o tempo jamais conseguirá apagar.
Porque a vida passa.
As pessoas partem.
Mas o amor verdadeiro permanece.
E é nele que encontro forças para seguir, sonhar e agradecer.
Obrigado, Mainha.
Por tudo.
Sempre. ❤️

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