Como dizem os mais jovens: já deu tempo de sentir a pegada! Bem, imagino que os leitores mais fiéis ao conservadorismo da língua portuguesa possam ficar, de imediato, avessos a esse caminho de palavras, dada a suposta deselegância linguística inicial; mas, respeitosamente, lembro-lhes que todo início tem um fim e, sobretudo, que um texto tem que comunicar. Então, deixe de besteira, chegue até o fim e depois pode me julgar.
Corre à boca solta que o prefeito Valderico anda meio nauseabundo. Fala-se, nos bastidores, que não imaginava o quão trabalhoso seria ser prefeito. Parece que o garoto da rádio, que ao longo de sua meia existência privilegiada, enfim se vê diante do labor. Tudo bem que não é no esquema 6×1, mas, para quem nunca experimentou o amargo do trabalho, ter de levantar um pouco mais cedo do que de costume parece estar sendo desalentador.
Por outro lado, debaixo dos espetáculos circenses do “pão e circo” promovidos pelo prefeito, a Ilhéus profunda, aquela que está fora da orla, sente, a olhos vistos, a manutenção de um estado de precariedade que, ademais, remonta aos idos do governo Mário Alexandre. Ruas esburacadas, precariedade do sistema educacional, inanição da atenção básica em saúde (postos sem remédios, sem médicos, sem técnicos e com muita desesperança), cultura sem prumo e uma assistência social que promove a desassistência são marcas da esfumaçada gestão Valderico.
No campo político, a situação só piora para o prefeito. A despeito dos recursos de persuasão não tão republicanos para manter a base unida, essa unidade começa a degringolar, com manifestações públicas de sua ruptura. Pesa também a pressão do jabismo. Jabes anda cobrando publicamente o cumprimento dos acordos políticos feitos com o chefe do Executivo e, para isso, sem nenhum constrangimento, começa a se tornar um dos principais algozes do desavisado gestor.
Na outra quadra, ACM Neto, o eterno postulante ao governo do estado, hoje mais do que nunca mergulhado no escândalo do Banco Master, caminha a passos largos para o asfixiamento político e, não sem dolo, arrasta consigo outras lideranças. Esse é o caso do “menino da rádio”. Sem poder dizer não ao herdeiro do clã Magalhães, Valderico tenta amenizar os estragos anunciando Wesley Safadão para o São João. Mas a questão que realmente importa é saber quem é o Safadão diante de tantas outras prioridades das quais um gestor sério, e socialmente implicado, não deveria querer se safar?
Axé!

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