Já circula no métier político a possibilidade de reedição da derrota de Jerônimo Rodrigues em Ilhéus no próximo pleito eleitoral. Mas o que explica essas especulações pouco promissoras para os vermelhos locais?
As interpretações são variadas, e entre elas estão os bons índices de aprovação do governo Valderico Reis e a não conclusão de obras fundamentais para a municipalidade ilheense obras que, contudo, têm sido atribuídas exclusivamente ao governo do Estado, ainda que essa narrativa esteja longe da verdade.
Há, porém, nuances que precisam ser consideradas, sob pena de sermos arrastados pelo tsunami do achismo. Franklin Martins, renomado jornalista brasileiro, afirmava que as ferramentas do jornalismo devem proteger o povo dos “efeitos da pedra no lago”. Ele se referia ao fato de que a palavra de certos políticos populistas, sobretudo quando desfrutam de alta popularidade, tende a ser tomada como verdade irrefutável.
E isso é uma perversão da opinião pública. Portanto, caro(a) leitor(a), é necessário enxergar além da superfície para evitar essa distorção.
A requalificação da orla da Zona Sul, assim como a cobertura da chamada “Valeta do Malhado”, têm sido utilizadas como combustível para a depreciação diária do governo estadual por parte da gestão municipal. No entanto, é preciso ler nas entrelinhas: o que realmente está em jogo é a cadeira do Executivo estadual, da qual depende o futuro político de Valderico Júnior.
Até aqui e com mérito o atual mandatário do Edifício Paranaguá tem sabido se aproveitar com habilidade do vazio deixado pela gestão Marão. Mas é importante lembrar que as digitais do projeto político liderado por Jerônimo Rodrigues estão presentes em todas as obras de impacto social, econômico e cultural que transformaram a paisagem de Ilhéus nas últimas duas décadas.
E o povo, embora alvo constante de manipulação por ondas radiofônicas, não é besta. A ponte, os hospitais, as escolas, a policlínica e as moradias populares serão sempre motivos de gratidão; porém, um sem-número de radares, a precarização dos postos de saúde, os problemas na educação municipal e os contratos sob suspeição no transporte público também são fontes legítimas de indignação.
Alguém precisa lembrar ao prefeito que, sem ponte, não há iluminação da ponte; e sem professor, respeitosamente remunerado e com 13º pago, não há educação.
Lembre-se, caro(a) leitor(a): a política do “pão e circo” tem limite. Axé
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