É tarde demais para o arrependimento, a "Inês é morta". A expressão se encaixa como uma luva na trama golpista do fatídico 8 de janeiro de 2023.
Os advogados do ex-presidente Bolsonaro estão recorrendo ao STF pedindo revisão da condenação de 27 anos e 3 meses de prisão. A defesa afirma que o ex-morador do Alvorada teria desistido do golpe.
A alegação de que Bolsonaro teria desistido de agir fora das quatro linhas, que será apreciada pela Primeira Turma da Alta Corte, é a prova inconteste de que tentaram um golpe, um atentado ao Estado Democrático de Direito.
O escopo da defesa não é mais anular a pena. E sim torná-la menor e que seja cumprida em prisão domiciliar, assentada no argumento de que a saúde de Bolsonaro está debilitada.
A "Inês é morta" serve também para o general Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) do então governo Bolsonaro, condenado a 21 anos de prisão por participar da trama golpista.
Em comum na defesa do capitão e do general, o argumento do estado de saúde. Além da prisão, o ex-ministro da GSI foi condenado ao pagamento de R$ 126 mil, o equivalente a 84 dias-multa no valor de um salário mínimo. A defesa quer diminuir a multa para R$ 21 mil.
O que chama atenção é a alegação da defesa do general para diminuir a multa, que Augusto Heleno não tem condições de pagar, já que é "arrimo familiar".
Concluo repetindo o primeiro parágrafo da modesta Coluna Wense de hoje: É tarde demais para o arrependimento, a "Inês é morta".

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