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Sexta-feira, 06 de Novembro 2026
Política

Quando o discurso precisa encontrar os dados

Coluna Hélio Ricardo

Mandato Bahia
Por Mandato Bahia
Quando o discurso precisa encontrar os dados
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A discussão sobre o uso dos veículos oficiais e o consumo de combustível da Câmara Municipal de Ilhéus vai muito além de uma publicação nas redes sociais. Ela toca em um princípio básico da administração pública: dinheiro público exige controle, transparência e prestação de contas.

O presidente da Câmara, César Porto, afirmou que sua gestão tem compromisso com a responsabilidade na aplicação dos recursos e que princípios como honestidade, respeito e coerência orientam a administração.

É uma afirmação legítima. Mas, quando se trata de recurso público, discurso não substitui controle.

A pergunta que precisa ser respondida é simples:

Existe um sistema capaz de mostrar quanto cada veículo abasteceu, quantos quilômetros percorreu, quem utilizou, para onde foi e qual era a finalidade do deslocamento?

Se existe, que os dados sejam apresentados.

Se precisa ser aperfeiçoado, que seja aperfeiçoado.

O próprio debate envolvendo o Ministério Público demonstra que o assunto merece atenção e procedimentos mais rigorosos de acompanhamento da frota e dos abastecimentos.

E não é preciso inventar soluções. Outras Câmaras Municipais já utilizam mecanismos como cartões eletrônicos, registros de quilometragem, identificação dos veículos, controle de abastecimento e relatórios periódicos.

É governança. É gestão. É transparência.

A população não deveria precisar escolher entre acreditar em uma denúncia ou acreditar na defesa de um gestor. Os números e os documentos devem permitir que qualquer cidadão faça sua própria conclusão.

Uma Câmara moderna precisa saber responder, com clareza:

Quanto gastou?
Com qual veículo?
Quem utilizou?
Qual foi o percurso?
Qual era a finalidade?
Quem autorizou?
E qual foi o resultado?

Essa é a diferença entre uma administração que apenas afirma ter controle e uma administração que consegue provar que controla.

César Porto tem a oportunidade de transformar uma situação que gerou questionamentos em um avanço concreto de transparência para a Câmara de Ilhéus.

Porque fiscalização não deve ser vista como ameaça.

Fiscalização é parte da democracia.

E no serviço público, boa intenção é importante. Mas boa gestão precisa deixar rastros, documentos e números.

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