A hipótese de um "pacto de não agressão" ou "freio de arrumação" entre as lideranças do PT e do União Brasil na Bahia durou pouco nos bastidores políticos. Lançada como provocação pelo analista Marco Wense, na Coluna Wense do site Mandato Bahia, a tese de que os grupos do governador Jerônimo Rodrigues (PT) e do ex-prefeito ACM Neto (União Brasil) poupariam o tema do Caso Banco Master ruiu diante dos holofotes e dos microfones das campanhas.
O escândalo, que envolve desdobramentos sobre a instituição financeira do empresário Daniel Vorcaro, converteu-se em uma verdadeira "faca de dois gumes" na política baiana. Por atingir e interessar a figuras de peso de ambos os lados — de caciques petistas a aliados da oposição —, analistas chegaram a cogitar uma trégua estratégica para evitar o desgaste mútuo. Contudo, a pressão da corrida eleitoral falou mais alto.
Ataques Abertos e Contra-Ataque Direto
A ruptura do suposto acordo velado ficou evidente após declarações públicas do governador Jerônimo Rodrigues, que atacou abertamente o adversário ao citar supostas prestações de consultoria de ACM Neto ao banco investigado.
A reação da oposição foi imediata:
- Negativa Veemente: ACM Neto rebatou as insinuações, negando qualquer irregularidade na sua atuação profissional ou política.
- Acusação de Manipulação: O líder do União Brasil acusou o grupo governista de manipular vazamentos de informações sem a devida homologação judicial.
- Aposta no Desespero: Neto afirmou que os ataques refletem o "desespero" do governo do Estado diante da disputa eleitoral, recorrendo ao uso político do caso para criar desgastes narrativos.
A Vulnerabilidade dos Pactos de Bastidor
O fracasso da trégua expõe uma dinâmica recorrente nos bastidores partidários: em ano de pleito e com palanques armados, assuntos explosivos raramente permanecem sob controle. A tentativa de erguer um muro de contenção sobre um escândalo com ramificações bilaterais não resistiu ao cálculo eleitoral, onde empurrar o desgaste para o adversário costuma se sobrepor à prudência institucional.
Com a escalada do tom entre as principais lideranças do estado, o Caso Banco Master consolida-se como um dos eixos de atrito central da disputa na Bahia, demonstrando que o "discurso de cavalheiros" dura apenas até o momento em que a sobrevivência política exige o confronto direto.
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