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Domingo, 12 de Abril de 2026
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Política

A URNA ATRÁS DAS GRADES: POR QUE O FIM DO VOTO EM PRESÍDIOS É UMA QUESTÃO DE LEGÍTIMA DEFESA DA SOCIEDADE

Coluna Vinícius Brandão

Vinícius Brandão
Por Vinícius Brandão
A URNA ATRÁS DAS GRADES: POR QUE O FIM DO VOTO EM PRESÍDIOS É UMA QUESTÃO DE LEGÍTIMA DEFESA DA SOCIEDADE
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O PL ANTI-FACÇÃO E A EMENDA QUE CORRIGE UMA DISTORÇÃO HISTÓRICA NO SISTEMA POLÍTICO BRASILEIRO
 
Por trás de um debate que muitos tentam disfarçar com jargões jurídicos, esconde-se uma questão moral que afeta diretamente o futuro da nossa democracia: faz sentido que indivíduos privados de liberdade por suspeitas de crimes graves continuem decidindo os rumos do país?
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A recente aprovação, pela Câmara dos Deputados, do chamado PL Anti-Facção trouxe uma vitória para o bom senso. Uma emenda crucial, de autoria do deputado Marcel van Hattem, do NOVO, finalmente proíbe que presos provisórios continuem votando de dentro das celas. Agora, a medida aguarda análise final e sanção presidencial. Se o Executivo vetar, estará comprando uma briga não apenas com o Congresso, mas com a sociedade que exige o fim da impunidade.
 
Mas o que realmente está em jogo quando a urna entra na cela?
 
O SINTOMA DE 2022: UMA ESTATÍSTICA QUE FALA POR SI
Os defensores da manutenção do voto nas prisões costumam se esconder atrás do princípio da presunção de inocência, mas ignoram a realidade nua e crua dos números. Nas eleições presidenciais de 2022, o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva obteve uma vitória acachapante dentro do sistema prisional: cerca de 80,5% dos votos válidos no segundo turno vieram das urnas instaladas nas cadeias.
 
Essa preferência quase unânime levanta uma reflexão inevitável. Quando uma parcela tão expressiva da população carcerária, indivíduos que o Estado considerou perigosos o suficiente para serem retirados do convívio social, escolhe em bloco o mesmo projeto de poder, o que isso diz sobre as políticas de segurança pública desse grupo político? É no mínimo perigoso para a democracia que candidatos tenham incentivos eleitorais para agradar ou beneficiar, direta ou indiretamente, quem está sob custódia por conflito com a lei.
 
O VOTO DE CABRESTO DO SÉCULO XXI
Além da questão política, há um problema prático e urgente de segurança nacional. Não é segredo que grande parte do sistema penitenciário brasileiro é controlada por facções criminosas sanguinárias.
 
Como o Estado pode garantir que o voto dentro de um presídio dominado pelo crime organizado seja, de fato, livre e secreto? A resposta é simples: não pode. Permitir a votação em presídios, na prática, é entregar na mão dos líderes dessas facções o poder de coagir massas carcerárias a votarem em candidatos que prometam afrouxar as leis penais. É a institucionalização do voto de cabresto, com o aval da Justiça Eleitoral e sob a mira do crime organizado.
 
A FALSA SIMETRIA DA INOCÊNCIA
Os críticos da emenda agarram-se à ideia de que o preso provisório ainda não tem condenação definitiva e, por isso, não deveria perder direitos políticos. É um argumento frágil diante da realidade processual brasileira.
 
Para que alguém esteja preso preventivamente no Brasil, um juiz já avaliou que há provas da materialidade de um crime, fortes indícios de autoria e, principalmente, risco à ordem pública ou à aplicação da lei. Ora, se o Estado reconhece que um indivíduo representa um risco iminente à sociedade a ponto de suspender seu direito fundamental de ir e vir, é uma contradição grotesca permitir que ele continue exercendo o poder de influenciar a gestão dessa mesma sociedade através do voto.
 
Suspender o voto de quem está preso não é uma punição antecipada, mas uma questão de coerência institucional. O voto é a expressão máxima da cidadania e do pacto social. Quando o indivíduo quebra esse pacto a ponto de ser encarcerado, seu poder de decisão política deve, no mínimo, ser pausado.
 
O LIMITE ENTRE DEMOCRACIA E IMPUNIDADE
A aprovação do PL Anti-Facção com a emenda do NOVO não é apenas um ajuste eleitoral; é um marco civilizatório. É o Congresso Nacional dizendo que o Brasil não será mais refém de narrativas que invertem valores e colocam o criminoso como vítima do Estado.
 
Se o texto virar lei, é quase certo que partidos e entidades tentarão derrubá-lo no Supremo Tribunal Federal. Será o teste definitivo: veremos de que lado as instituições estarão.
 
No fim, o que está em julgamento não é apenas o direito de um preso apertar os botões da urna. É a sobrevivência do nosso sistema político frente ao avanço das facções. E, em uma democracia que se preza, quem ataca a sociedade não pode ter o direito de escolher quem a governa.
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Vinícius Brandão

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Vinícius Brandão

Jornalista e produtor de TV com passagens pela TV Aratu e SBT. Especialista em IA (Exame) e graduando em Direito. Une experiência em comunicação institucional à expertise técnica em TI e web design.

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