Em meio às críticas sobre a portaria nº 190 do governo da Bahia, o prefeito Bruno Reis (União Brasil) também endureceu o tom contra o governador Jerônimo Rodrigues (PT), ao falar sobre educação. Durante discurso na reinauguração da Escola Municipal Abrigo Filhos do Povo, no bairro da Liberdade, o chefe do Executivo municipal fez coro aos comentários da APLB Sindicato e ressaltou que a ‘aprovação automática’ de estudantes, defendida pelo petista, intenciona “distorcer os dados do IDEB (Indíce de Desenvolvimento da Educação Básica)”.
“Estamos na 15ª posição [no IDEB]. Ultrapassamos 12 capitais. E ultrapassamos, meu secretário Thiago Dantas, de forma correta. Por que a pior coisa que tem é se enganar ou querer enganar a sociedade. Quando a gente aprova todos os alunos automaticamente, a gente está querendo fazer o quê? Está querendo que o fluxo escolar tenha um percentual alto. Sabe para quê? Para distorcer os dados do IDEB. Com a gente aqui, não. […]”, atestou Bruno, na manhã desta sexta-feira (23).
O chefe do Palácio Thomé de Souza voltou a contrapor as falas do gestor estadual, que também é professor, afirmando que jamais “iria aprovar um aluno, se ele não tivesse condições de passar de ano”. “Eu estaria condenando ele por dois anos e talvez para a vida toda. Porque se ele não aprender o conteúdo no ano que ele tinha que aprender, e o conteúdo desse ano é fundamental para aprender o conteúdo do ano que vem, jamais ele vai aprender”, completou, sob aplausos dos presentes.
Em seguida, na coletiva de imprensa, Reis retomou o assunto. Aos jornalistas, o prefeito da capital classificou o ato como “absurdo” e reiterou que a prática tem o “único de objetivo de não tornar visto por todos, […], a pior educação do Brasil”.
“O resultado do IDEB que ia sair em setembro, a posição da Bahia seria a pior do Brasil. Vejam vocês, apenas 32% dos alunos do 3º do Ensino Médio do Estado da Bahia se inscreveram para o ENEM [Exame Nacional do Ensino Médio], quando você bota a abstenção e depois vai para o êxito de quem ingressou na universidade, sem sombra de dúvidas, é a pior do Brasil”, evidenciou o gestor municipal.
“A gente aqui, diferente do Estado, seguiu o que os professores, o que a rede e as escolas decidiram. Aqueles alunos que tinham condições de avançar, avançaram, os que poderiam avançar parcialmente – avançaram com o compromisso da educação – […] – aqueles que não tinha condições, infelizmente, terão que repetir o ano. […]”, emendou.
O que disse Jerônimo
Durante a abertura das aulas, em Feira de Santana, Jerônimo Rodrigues (PT) discursou contra os professores que reprovam alunos e chegou a chamar as escolas de “autoritárias” e “preconceituosas”. O petista ainda afirmou que os mais reprovados com a medida, na maioria das vezes, são “negros, pobres e excluídos”.
Ao ser questionado pelos jornalistas, após o lançamento da Revista Nova Bahia, Rodrigues justificou que a portaria visa reduzir a evasão escolar ao incentivar que os alunos permaneçam nos colégios. “Eu quero uma escola inclusiva. (…) Eu não estou fazendo isso com intenção de indicar do IDEB. Não é isso. Não vou fugir do meu papel”, declarou.
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