O clima esquentou entre o funcionalismo público e o Palácio de Ondina. Os professores das universidades estaduais baianas — UNEB (Universidade do Estado da Bahia), UESC (Universidade Estadual de Santa Cruz) e UESB (Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia) — aprovaram uma paralisação total das atividades por 24 horas nesta quarta-feira (20).
O movimento afetará os campi de todas as regiões do estado. De acordo com o movimento sindical, a medida não é apenas uma cobrança por direitos travados, mas um protesto formal contra o que classificam como "silêncio ensurdecedor" e falta de diálogo por parte da gestão do governador Jerônimo Rodrigues (PT). Os docentes alegam estar há quase dez meses sem qualquer canal efetivo de negociação com o governo.
O Raio-X das Reivindicações: O Que Exigem os Docentes?
A pauta de reivindicações foi protocolada oficialmente junto ao Executivo em dezembro de 2025 pelo Fórum das ADs (entidade que unifica as associações de docentes da UNEB, UEFS, UESB e UESC). As demandas transitam entre a recomposição de direitos trabalhistas históricos, investimentos na saúde do servidor e reajustes no orçamento das instituições.
Tabela: Resumo das Demandas da Categoria
| Eixo da Pauta | Reivindicação Específica | Objetivo Principal |
| Direitos Trabalhistas | Regularização de adicionais de insalubridade e periculosidade. | Garantir o pagamento legal a professores expostos a riscos. |
| Benefícios Sociais | Recomposição de direitos (como anuênios) e revogação da reforma da previdência estadual. | Recuperar perdas salariais e de carreira acumuladas. |
| Saúde do Servidor | Qualificação do Planserv com ampliação de investimentos. | Melhorar o atendimento médico hospitalar da rede estadual. |
| Orçamento e Gestão | Repasse mínimo de 7% da Receita Líquida de Impostos (RLI) para as universidades. | Garantir a manutenção, pesquisa e expansão das instituições. |
| Autonomia Política | Fim da lista tríplice para reitoria e garantia de autonomia plena. | Seguir o modelo de escolha direta já adotado pela UFBA. |
O Fator Político: Fogo Amigo na Base do Governador
O protesto ganha contornos de ironia e forte desgaste político para o governador Jerônimo Rodrigues. Antes de ingressar na carreira política e se tornar secretário e posteriormente chefe do Executivo baiano, Jerônimo construiu sua trajetória profissional como professor licenciado da UEFS (Universidade Estadual de Feira de Santana).
Essa proximidade histórica com a categoria torna a falta de interlocução ainda mais criticada pelas lideranças sindicais, que esperavam maior sensibilidade da gestão para com as pautas acadêmicas.
"Há quase dez meses buscamos a negociação. Temos direitos trabalhistas garantidos em lei que estão sendo desrespeitados, a exemplo dos adicionais de insalubridade. É importante lembrar que o governador, que agora vira as costas às universidades estaduais, é professor da UEFS. Esse desrespeito com os colegas é um absurdo!", criticou Karina Sales, Coordenadora Geral da ADUNEB.
Segundo a coordenação do movimento, a última reunião formal com representantes do governo estadual ocorreu em 29 de julho de 2025. Desde então, as tentativas de agendamento têm sido infrutíferas.
Próximos Passos e Impacto
A paralisação desta quarta-feira (20) foi deliberada após rodadas de assembleias gerais realizadas pelas associações de classe (ADUNEB, ADUSC e ADUSB) entre os dias 13 e 14 de maio.
O movimento de 24 horas funciona como um "cartão amarelo" para a Governadoria. Caso as mesas de negociação não sejam reabertas pela Secretaria da Administração (SAEB) e pela Secretaria de Educação (SEC), os sindicatos não descartam a possibilidade de endurecimento das ações, o que poderia culminar em uma greve por tempo indeterminado, ameaçando o calendário letivo de milhares de estudantes em toda a Bahia.

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