Um áudio divulgado nas redes sociais com xingamentos racistas, misóginos e ofensivos é atribuído ao vereador José Morais de Almeida Júnior, conhecido como Júnior do Requeijão (PSDB), presidente da Câmara de Dias d’Ávila. A gravação teria sido enviada à sua irmã, a empresária Marileide Morais (67 anos), e ao companheiro dela, o advogado Léo Mineiro, 61 anos, que é seu cunhado.
No conteúdo da gravação, feita em 7 de outubro e viralizada posteriormente, o vereador usa termos como “cachorra véia”, “puta”, “nojenta”, “rapariga” e ainda chama o cunhado de “fedorento”. Além das ofensas verbais, ele faz cobrança financeira relacionada ao uso de um jazigo, sem explicitar valores.

As agressões verbais foram qualificadas pelas vítimas como injúria racial, violência psicológica e moral, além de difamação. No caso do cunhado, que é negro, os insultos racistas configurariam crime ainda mais grave, conforme a Lei nº 14.532/2023, que equipara injúria racial ao crime de racismo — considerado imprescritível e inafiançável.
Na terça-feira (14), Marileide e Léo Mineiro registraram formalmente o caso na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (DECRIM) em Salvador, que posteriormente remeterá os autos à delegacia territorial de Dias d’Ávila. Os documentos entregues pelas vítimas incluem os áudios, mensagens e capturas de tela autênticas, todas autenticadas em cartório. Também foi solicitado medida protetiva, amparada pela Lei Maria da Penha.
Marileide relatou que os ataques verbais entre irmãos não são recentes. Segundo ela, começaram logo após a morte do irmão José Bosco, em 2018. Ela sustenta que, ao contrário da versão do vereador, sempre apoiou financeiramente e pessoalmente o irmão, inclusive em sua trajetória política.
Embora o parlamentar tenha reconhecido a autoria dos áudios, ele afirmou tratar-se de uma disputa familiar e negou ter dirigido ofensas ao cunhado. “Na hora do áudio, me excedi. Não é para atingir o esposo dela”, declarou. Ele também alegou que as motivações têm origem em conflitos financeiros familiares, acusando Marileide de “tomar terrenos da família”.
A Câmara Municipal de Dias d’Ávila ainda não divulgou posicionamento oficial sobre o caso, gerando expectativa pela manifestação dos demais vereadores, especialmente diante da gravidade das acusações e do potencial dano institucional.
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