A CPI do Crime Organizado do Senado Federal decidiu nesta quarta-feira (11) adiar a análise do pedido de quebra de sigilos bancário e fiscal do ex-ministro da Cidadania João Roma. O requerimento acabou retirado da pauta durante a votação em bloco realizada pelos integrantes da comissão.
Roma também é presidente estadual do Partido Liberal na Bahia e tem sido citado nos bastidores políticos como possível nome para compor uma chapa majoritária ao Senado ao lado do ex-prefeito de Salvador ACM Neto, do União Brasil, nas eleições de 2026.
Pedido ficou fora da votação em bloco
Durante a sessão, a comissão avançou na aprovação de uma série de medidas investigativas envolvendo outros alvos do inquérito, incluindo empresas relacionadas ao Banco Master.
No entanto, o pedido específico envolvendo João Roma foi um dos dois itens retirados da votação conjunta, devendo ser analisado separadamente em uma próxima reunião da CPI, ainda sem data definida.
Convocação para depor está mantida
Apesar do adiamento da decisão sobre os dados financeiros, a convocação do ex-ministro para prestar depoimento permanece válida. O requerimento de oitiva já havia sido aprovado anteriormente, o que obriga Roma a comparecer ao Senado nas próximas semanas para prestar esclarecimentos.
O relator da comissão, o senador Alessandro Vieira, do Movimento Democrático Brasileiro, afirmou que as oitivas fazem parte do esforço da CPI para entender como organizações criminosas podem atuar dentro do sistema financeiro.
Segundo ele, a convocação de investigados ou citados nas apurações não significa automaticamente a existência de acusação formal, mas busca reunir informações para o andamento das investigações.
Posição de João Roma
João Roma tem criticado publicamente as iniciativas da comissão. O ex-ministro afirma não possuir qualquer ligação com os fatos investigados e diz que os pedidos apresentados pela CPI não têm fundamento.
Na avaliação dele, a movimentação teria motivação política e serviria para desviar a atenção de outros temas relacionados ao governo federal.
Outras medidas aprovadas
Durante a mesma sessão, a comissão aprovou a quebra de sigilo do empresário Fabiano Campos Zettel, além de solicitar ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras relatórios de inteligência financeira envolvendo operações do Banco Master.
Também foi aprovada a convocação de ex-dirigentes do Banco Central do Brasil e do ex-ministro da Economia Paulo Guedes, que deverão prestar esclarecimentos à comissão.

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