A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (27) a quarta fase da Operação Overclean, com foco em desmantelar uma organização criminosa suspeita de fraudes em licitações, desvio de recursos públicos oriundos de emendas parlamentares, corrupção e lavagem de dinheiro na Bahia. A ação mobilizou agentes federais em Salvador, Camaçari, Boquira, Ibipitanga e Paratinga.
A operação foi realizada em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU) e a Receita Federal, com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF). Ao todo, foram cumpridos 16 mandados de busca e apreensão e três ordens de afastamento cautelar de servidores públicos, incluindo prefeitos em exercício.
Segundo informações divulgadas pelo site Metrópoles e confirmadas pela PF, os prefeitos Humberto Raimundo Rodrigues de Oliveira (PT), de Ibipitanga, e Alan Machado França (PSB), de Boquira, foram afastados dos cargos. O ex-prefeito de Paratinga, Marcel José Carneiro de Carvalho (PT), também foi alvo de mandado de busca e apreensão. Todos são suspeitos de integrar o esquema criminoso.
O deputado federal Félix Mendonça Júnior (PDT-BA), embora não tenha sido alvo direto de buscas nesta fase, é investigado pela Polícia Federal por suposta ligação com o grupo. Seu assessor parlamentar, Marcelo Chaves Gomes, foi afastado da função e também é investigado por participação no esquema.
Durante o cumprimento dos mandados, agentes federais encontraram grandes quantias de dinheiro escondidas em gavetas, reforçando indícios de enriquecimento ilícito. Segundo fontes ligadas à investigação, há suspeitas de que parte dos recursos desviados tenha sido utilizada para financiar campanhas políticas ou enriquecimento pessoal.
Esquema milionário de propinas
As investigações indicam que, entre 2021 e 2024, o grupo atuava na liberação de emendas parlamentares destinadas principalmente aos municípios de Boquira, Ibipitanga e Paratinga. O dinheiro, que deveria financiar obras e serviços públicos, era parcialmente desviado mediante pagamento de propinas e manipulação de processos licitatórios para beneficiar empresas previamente escolhidas pelos envolvidos.
O ministro Kassio Nunes Marques, do STF, justificou os afastamentos cautelares para impedir a destruição de provas e a continuidade das fraudes. O caso continua sob sigilo parcial, mas fontes próximas ao inquérito revelaram que o esquema envolve contratos de obras públicas, fornecimento de materiais e serviços diversos.
Além dos crimes de organização criminosa, os investigados podem responder por corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitações e contratos administrativos e lavagem de dinheiro. As penas somadas podem ultrapassar 30 anos de prisão, dependendo da participação individual de cada envolvido.
A Operação Overclean foi deflagrada pela primeira vez em 2023 e já soma quatro fases, sempre mirando fraudes envolvendo recursos públicos na Bahia. Até o momento, dezenas de pessoas já foram indiciadas ou denunciadas, e a PF promete aprofundar as investigações para identificar o destino final dos recursos desviados.

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