O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que as acusações envolvendo seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, são apenas “ilações” e que ele terá de se defender das acusações.
A declaração foi dada durante a sabatina de presidenciáveis da TV Globo, nesta quinta-feira (27).
Lula também disse que não conhece a empresária e lobista Roberta Luchsinger, que aparece nas investigações, e afirmou acreditar na explicação de seu ex chefe de gabinete Marco Aurélio Ribeiro, conhecido como Marcola, sobre os valores recebidos dela.
Mas os dados já levantados pela Polícia Federal mostram que a investigação não está baseada apenas em telefonemas.
O que a Polícia Federal está investigando no caso Lulinha
A Polícia Federal apura possíveis relações de Lulinha com pessoas e empresas que mantinham interesses em negócios com o governo federal.
As investigações foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal e envolvem diferentes tipos de informações.
PF analisa dinheiro, mensagens e documentos
Entre os elementos analisados pelos investigadores estão:
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movimentações financeiras;
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mensagens encontradas em celulares;
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documentos;
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relações empresariais;
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pagamentos;
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contatos com pessoas ligadas ao governo;
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informações obtidas por meio de decisões judiciais.
O STF também autorizou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático de Lulinha para ajudar a esclarecer as suspeitas investigadas.
Isso não significa que o filho de Lula tenha sido condenado ou que os crimes estejam comprovados.
Até o momento, trata-se de uma investigação.
Mas também é incorreto dizer que tudo se resume a “ilações tiradas de telefonemas”.
Os R$ 1,5 milhão que entraram na investigação
Um dos pontos analisados pela PF envolve a empresária Roberta Luchsinger.
Segundo informações apresentadas durante a investigação, cinco pagamentos de R$ 300 mil foram feitos para uma empresa ligada à empresária.
O total chega a R$ 1,5 milhão.
Os pagamentos teriam sido solicitados por Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, investigado no escândalo envolvendo descontos ilegais em benefícios de aposentados e pensionistas.
A PF passou a investigar se Lulinha poderia ter sido beneficiário direto ou indireto de algum desses valores.
Dinheiro não significa culpa
É importante fazer uma separação.
O fato de determinado pagamento existir não prova sozinho que Lulinha tenha cometido algum crime.
A investigação precisa descobrir quem pediu o dinheiro, por qual motivo, para onde os recursos foram e se houve alguma contrapartida.
É justamente para responder a essas perguntas que a Polícia Federal analisa os dados financeiros.
Roberta Luchsinger e os pagamentos para Marcola
Outro ponto da investigação envolve Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola, que ocupou o cargo de chefe de gabinete de Lula.
Segundo informações divulgadas sobre o caso, Roberta Luchsinger teria pago aproximadamente R$ 217 mil em despesas de Marcola.
Entre os gastos aparecem faturas de cartão de crédito, financiamento de veículo e outras despesas pessoais.
Marcola afirma que os valores foram empréstimos e nega qualquer relação ilegal com sua função pública.
O próprio Lula disse que considera a conduta do ex assessor errada.
“Ele cometeu erro? Ele pagará pelo erro que cometeu”, afirmou o presidente.
A declaração mostra que o próprio Lula reconhece que a relação financeira entre seu ex auxiliar e a lobista merece explicação.
A pergunta que fica sobre Lulinha
É justamente neste ponto que a fala de Lula sobre “ilações” precisa ser analisada com cuidado.
Se a investigação encontrou pagamentos, mensagens, documentos e movimentações financeiras, não se trata apenas de uma conversa telefônica isolada.
A Polícia Federal está tentando juntar todas essas informações para descobrir se existe uma ligação entre dinheiro, empresários, lobistas e pessoas com acesso ao governo.
Isso é diferente de afirmar que o crime já está provado.
Investigação não é condenação
Lulinha tem direito à defesa e à presunção de inocência.
Esse direito precisa ser respeitado.
Mas a presunção de inocência também não significa que uma investigação deva ser tratada como uma invenção.
A PF tem o dever de investigar quando encontra elementos que considera relevantes.
Depois, cabe ao Ministério Público avaliar o resultado da investigação e, se houver elementos suficientes, decidir se apresenta ou não uma denúncia.
Somente depois disso caberá à Justiça decidir.
Lula diz que ninguém está acima da lei
O presidente já afirmou em outras entrevistas que seu filho precisa se defender e que, se tiver cometido algum crime, deverá responder por isso.
Lula também diz que não interfere na Polícia Federal e que os investigadores têm liberdade para trabalhar.
Essa é uma posição que, em princípio, está de acordo com o funcionamento das instituições.
O problema aparece quando o presidente tenta classificar antecipadamente os elementos da investigação como simples “ilações”.
Quem deve dizer o que é ou não prova não é o presidente.
É a investigação, o Ministério Público e, no fim do processo, a Justiça.
O caso ainda está longe de uma conclusão
Até agora, não existe condenação contra Lulinha.
Também não se pode afirmar que todas as suspeitas levantadas pela PF serão confirmadas.
A investigação ainda precisa esclarecer pontos importantes.
O que ainda precisa ser respondido
Entre as principais perguntas estão:
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Lulinha recebeu algum dos valores investigados?
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Qual era exatamente sua relação com Roberta Luchsinger?
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Houve participação dele em negócios envolvendo o governo?
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Existiu algum tipo de favorecimento?
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Qual era a relação entre Lulinha e o Careca do INSS?
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Os pagamentos feitos a pessoas próximas tinham alguma relação com contratos ou negócios públicos?
São essas respostas que poderão determinar o rumo do caso.
O que é fato e o que ainda é suspeita
Para o público entender o caso sem cair em propaganda política de nenhum lado, é preciso separar os fatos das acusações.
Fato: existem pagamentos e movimentações financeiras que estão sendo analisados pela PF.
Fato: existem mensagens e documentos relacionados às pessoas investigadas.
Fato: o STF autorizou medidas para aprofundar a investigação.
Suspeita: Lulinha teria sido beneficiário de determinados valores.
Suspeita: ele teria participado de ações para favorecer negócios junto ao governo.
Ainda não provado: que Lulinha tenha cometido crime.
Essa diferença é fundamental.
Lula tem razão em uma parte, mas exagera em outra
Lula está certo quando afirma que seu filho precisa ter direito de defesa.
Também está correto o princípio de que ninguém pode ser tratado como criminoso antes de uma condenação.
Mas reduzir uma investigação que envolve dinheiro, mensagens, documentos e quebra de sigilos a simples “ilações” é uma forma de diminuir a dimensão do que a Polícia Federal está apurando.
A sociedade não precisa escolher entre acreditar cegamente em Lula ou condenar Lulinha antes da Justiça.
Pode fazer algo muito mais simples:
cobrar que a investigação chegue até o fim.
Se não houver crime, que isso seja demonstrado.
Se houver irregularidade, que os responsáveis respondam.
E se Lulinha for inocente, que tenha seu nome definitivamente esclarecido.
O que não pode acontecer é transformar uma investigação em condenação política ou, no sentido contrário, transformar elementos investigativos em “nada” antes que a PF termine seu trabalho.
A verdade precisa aparecer
No fim das contas, a questão não é se Lulinha é filho do presidente.
A questão é saber se houve ou não crime.
E essa resposta não será dada por Lula, pela oposição, pelas redes sociais ou por manchetes.
Será dada pelas provas produzidas durante a investigação e, se o caso chegar à Justiça, pelo devido processo legal.
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