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Segunda-feira, 09 de Marco de 2026
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ELEIÇÕES 2026

Isaac Carvalho deixa base de Jerônimo e passa a integrar grupo de ACM Neto na Bahia

Apoio do ex-prefeito de Juazeiro à oposição consolida rompimento com o PT e expõe fragilidades da articulação governista no interior

Mandato Bahia
Por Mandato Bahia
Isaac Carvalho deixa base de Jerônimo e passa a integrar grupo de ACM Neto na Bahia
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A decisão do ex-prefeito de Juazeiro Isaac Carvalho (PSD) de aderir ao grupo político liderado por ACM Neto (União Brasil) foi recebida, nos bastidores da política baiana, como um movimento esperado e consequência direta do desgaste acumulado na relação com a base do governador Jerônimo Rodrigues (PT). A mudança de posicionamento fortalece a oposição no Norte do estado e evidencia uma reconfiguração das forças políticas na região do São Francisco.

Desde o processo eleitoral municipal de 2024, aliados próximos já percebiam sinais claros de afastamento entre Isaac e o núcleo governista. À época, o ex-prefeito enfrentava entraves jurídicos que comprometeram sua viabilidade eleitoral, apesar de ter sido inicialmente tratado como prioridade dentro do grupo político que comandava a sucessão em Juazeiro.

A tentativa de reverter a situação na Justiça, por meio de acordo com o Ministério Público, não prosperou, mantendo o impedimento legal e enfraquecendo sua permanência como principal liderança do projeto local. Com isso, o grupo governista passou a buscar alternativas, abrindo espaço para outros nomes da região e, posteriormente, consolidando apoio a Andrei da Caixa, filiado ao MDB, apresentado como solução de consenso.

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A escolha, porém, aprofundou fissuras internas. Lideranças históricas ligadas a Isaac interpretaram a decisão como um sinal de preterição política, agravado pela ausência de diálogo e pela condução centralizada das articulações. O descontentamento levou o ex-prefeito a se desfiliar do PT ainda antes do pleito e a tentar manter influência lançando seu sobrinho, Celso Carvalho (PSD), como alternativa eleitoral — movimento que não encontrou respaldo na federação nem nos principais partidos da base estadual.

Com a vitória de Andrei da Caixa e a consolidação do novo arranjo local, o espaço político de Isaac dentro do governo estadual tornou-se cada vez mais restrito. A avaliação entre lideranças regionais era de que dificilmente o ex-prefeito retomaria protagonismo dentro da estrutura governista, cenário que acelerou sua busca por novos caminhos.

O anúncio de apoio a ACM Neto, principal nome da oposição ao PT na Bahia, simbolizou o rompimento definitivo. Ao justificar a decisão, Isaac apontou frustrações com a condução do governo estadual e criticou a falta de diálogo com lideranças do interior, discurso que encontra eco em outros grupos políticos fora do eixo Salvador–Região Metropolitana.

Entre dirigentes e lideranças do Sertão do São Francisco, a leitura predominante é de que a mudança de lado representa uma estratégia de sobrevivência política. Sem espaço no governo e com capital eleitoral ainda relevante na região, Isaac optou por se reposicionar no tabuleiro estadual, apostando na reorganização da oposição e na construção de um novo palanque para os próximos ciclos eleitorais.

O movimento, além de fortalecer ACM Neto no interior, expõe desafios da base governista em manter coesão e diálogo com lideranças regionais, indicando que o xadrez político de 2026 começa a ser desenhado muito antes do calendário oficial.

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FONTE/CRÉDITOS: Bahia Notícias
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