Na política, existem dois patrimônios que nenhum mandato deveria desperdiçar: a confiança e a palavra. O voto pode abrir as portas do poder, mas é a credibilidade que mantém essas portas abertas.
Em Ilhéus, a mais recente movimentação política parece ter colocado um ponto final em uma novela que se desenrolava nos bastidores. Quem esperava ver o prefeito Valderico Júnior marchando ao lado de determinadas alianças já percebeu que o roteiro mudou. E, como acontece tantas vezes na política brasileira, mudaram também os compromissos, as expectativas e os discursos.
O grande ato político realizado no Boca du Mar reuniu milhares de pessoas e serviu não apenas para demonstrar força política, mas para deixar claro quem estará ao lado do governo municipal na disputa eleitoral que se aproxima. O gesto foi interpretado por muitos como um novo capítulo nas relações políticas da cidade.
Enquanto isso, um personagem importante dessa história chama a atenção não pelo que diz, mas pelo que não diz. Jabes Ribeiro silencia. Seu silêncio, em um momento de evidente rearranjo político, inevitavelmente desperta interpretações. Seria prudência? Estratégia? Resignação? Ou apenas a compreensão de que, na política, nem toda decepção encontra espaço para ser verbalizada?
Na política, romper acordos pode até fazer parte da estratégia. O problema começa quando essa prática deixa de ser exceção e passa a construir uma reputação. Afinal, quem promete muito e entrega pouco acaba convivendo com um desgaste silencioso: o da própria palavra.
Discursos emocionados, aplausos calorosos e fotografias de unidade sempre fazem parte do espetáculo político. Mas, depois que os refletores se apagam, permanece uma pergunta que a população nunca deixa de fazer: os compromissos assumidos hoje serão honrados amanhã?
O eleitor pode até esquecer um discurso. Pode esquecer uma solenidade ou um evento. O que dificilmente esquece é quando sente que sua confiança foi usada como moeda de ocasião.
E Jabes Ribeiro silencia. Às vezes, o silêncio comunica mais do que um pronunciamento. Na política, ele pode representar cautela, reflexão ou simplesmente a constatação de que determinadas respostas o tempo acaba oferecendo.
No fim das contas, a história ensina uma lição simples: governos passam, mandatos terminam e palanques são desmontados. A reputação, porém, permanece. E ela costuma ser escrita menos pelos discursos e muito mais pelo peso das atitudes.
Se o objetivo for uma crítica política mais contundente, em estilo de coluna jornalística, é possível reforçar o tom opinativo, desde que as conclusões sejam apresentadas claramente como interpretação e não como fatos estabelecidos.

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