O uso de um avatar gerado por Inteligência Artificial (IA) com a imagem e voz do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) durante a convenção que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência abriu uma nova frente de divergência nos bastidores do Judiciário brasileiro.
A reação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, provocou desconforto e críticas veladas entre integrantes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que avaliam que a análise de eventuais infrações eleitorais cabe exclusivamente à Justiça Eleitoral.
O Ponto de Conflito entre os Tribunais
A controvérsia teve início após Alexandre de Moraes dar um prazo de 48 horas para que a defesa de Jair Bolsonaro esclarecesse se o ex-presidente autorizou o uso de sua imagem virtual no evento do PL. No despacho, o ministro do STF sinalizou que a conduta poderia resultar na revogação do benefício da prisão domiciliar de Bolsonaro, além de suscitar a inelegibilidade de Flávio Bolsonaro por suposto abuso de poder.
No entanto, ministros do TSE ouvidos sob reserva interpretam a movimentação do Supremo como uma tentativa de ingerência na jurisdição da corte eleitoral, responsável por julgar o pleito de outubro.
A avaliação de magistrados do TSE é que os aspectos eleitorais da campanha devem ser regulados e julgados pelo próprio tribunal eleitoral, evitando que o STF atue como uma instância revisora precoce do processo.
As Respostas da Defesa e a Ação do PT
Em resposta enviada ao STF nesta quarta-feira (29), a defesa do ex-presidente negou qualquer autorização prévia para a exibição do avatar, destacando que Bolsonaro está proibido de receber visitas do filho e, portanto, não teria como ter alinhado ou consentido com o material.
Com a negativa, a responsabilidade sobre o episódio recai diretamente sobre a campanha de Flávio Bolsonaro e o PL. O Partido dos Trabalhadores (PT) acionou tanto o STF quanto o TSE pedindo apuração sobre o uso de deepfake na convenção.
As Visões Dentro do TSE
Sob a relatoria do ministro Kassio Nunes Marques, a representação apresentada ao TSE sobre o uso do avatar de Bolsonaro segue em análise. No âmbito interno do tribunal eleitoral, as opiniões diferem das medidas mais severas cogitadas no STF:
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Ala Liberal: Pelo menos dois ministros sustentam que a IA foi empregada para favorecer um candidato e não para atacar adversários, o que, em um primeiro momento, afastaria a aplicação de sanções graves.
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Ala de Advertência: Outros integrantes sugerem medidas intermediárias, como aplicação de multa ao PL, determinação de remoção do conteúdo das redes sociais e um alerta de que a reincidência poderá ser caracterizada como abuso de poder político.
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Equilíbrio Institucional: Há um consenso no TSE de que a exibição isolada do avatar na convenção não possui, por si só, gravidade suficiente para cassação de registro ou inelegibilidade.
Tabela: Comparativo das Abordagens no Judiciário
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Ação / Posição |
Visão do STF (Ministro Alexandre de Moraes) |
Visão Predominante no TSE |
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Enquadramento Legal |
Possível violação de medidas cautelares e abuso de poder. |
Controvérsia eleitoral sobre uso de IA e deepfakes. |
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Punições Cogitadas |
Regresso ao regime fechado (Bolsonaro) / Inelegibilidade (Flávio). |
Remoção do conteúdo, multa ao partido ou advertência preventiva. |
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Competência de Julgamento |
Execução de pena no STF e controle de cautelares. |
Jurisdição eleitoral sob relatoria de Kassio Nunes Marques. |
O desfecho do caso dependerá das decisões a serem tomadas pelo plenário do TSE e de como o Supremo conduzirá os desdobramentos da execução penal do ex-presidente.

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