Como parte das ações permanentes de defesa agropecuária, a Agência Estadual de Defesa Agropecuária da Bahia promove, em Ilhéus, o II Curso de Emergência Fitossanitária sobre a monilíase do cacaueiro e do cupuaçuzeiro. A praga é considerada quarentenária e ainda não foi registrada na Bahia, mas já acendeu o alerta em estados produtores.
A capacitação acontece entre os dias 24 e 27 de fevereiro de 2026, no auditório do Instituto de Análises Físico Químicas, no Campus Soane Nazaré, da Universidade Estadual de Santa Cruz. A abertura oficial está marcada para o dia 24, às 8h30, com a presença de representantes de órgãos estaduais, federais e instituições ligadas ao setor agropecuário.
Estratégia para proteger a lavoura cacaueira
O curso é coordenado pela Diretoria de Defesa Sanitária Vegetal da ADAB, em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária e a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira. A iniciativa integra a estratégia nacional de prevenção e vigilância de pragas quarentenárias ausentes, com foco específico na monilíase.
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A doença é causada pelo fungo Moniliophthora roreri e atinge exclusivamente os frutos do cacaueiro e do cupuaçuzeiro. Quando presente, pode provocar perdas significativas na produção e elevar os custos de controle nas propriedades rurais.
Embora ainda não haja registro da praga na Bahia, ela foi confirmada no Brasil em 2021, inicialmente no Acre, e depois em municípios do Amazonas. Esse avanço reforça a necessidade de vigilância constante nos principais polos produtores.

Ilhéus no centro da cadeia do cacau
Ilhéus tem papel estratégico nesse cenário. O município concentra cerca de 95% do escoamento das amêndoas produzidas no país, destinadas ao parque moageiro local. O fluxo intenso de pessoas, mercadorias e materiais vegetais aumenta o risco de introdução acidental da praga, o que exige protocolos bem definidos e equipes preparadas.
Capacitação técnica e simulações práticas
Ao todo, 60 profissionais participam do curso, entre Fiscais Estaduais Agropecuários, Técnicos em Fiscalização, Gerentes Territoriais de Defesa Sanitária Vegetal e Auditores Fiscais Federais Agropecuários.
A programação combina conteúdo teórico e atividades práticas. Os participantes estudam identificação taxonômica, biologia do fungo, sintomas, epidemiologia, métodos de controle, educação sanitária e procedimentos para atendimento de suspeitas. Também são trabalhados planos de ação emergencial e estratégias de contingência.
Na etapa final, serão realizados cinco exercícios simulados, com cenários hipotéticos que envolvem áreas de produção comercial, cultivos domésticos, comércio e trânsito de amêndoas, produção de mudas e até turismo rural ligado à cadeia do chocolate.
Além da Bahia, participam equipes técnicas de Rondônia, Pará, Acre, Amazonas e Espírito Santo, fortalecendo a integração entre estados produtores.
Segurança para o setor produtivo
Segundo a direção da ADAB, a proposta é simples e estratégica ao mesmo tempo: agir antes que o problema apareça. A capacitação busca garantir que o estado esteja tecnicamente preparado para detectar qualquer suspeita de forma precoce e responder com rapidez.
A iniciativa conta ainda com o apoio da Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente de Itabuna, da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia, da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia, do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, além de instituições de ensino e parceiros do setor privado.
No fim das contas, o recado é claro. Proteger o cacau não é apenas uma questão agrícola. É preservar uma atividade que faz parte da história, da economia e da identidade do sul da Bahia.
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