Enquanto o povo enfrenta inflação, juros altos e filas no SUS, os deputados federais da Bahia esbanjam o dinheiro público. Somente no primeiro semestre de 2025, a bancada baiana na Câmara dos Deputados gastou R$ 9.046.531,22 com a chamada Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (CEAP) — um benefício recheado de regalias como passagens aéreas, aluguel de imóveis, propaganda pessoal e até alimentação.
A informação, divulgada com base em dados oficiais da Câmara e organizada pelo portal Bahia Notícias, revela que cada um dos 39 deputados federais da Bahia tem direito a até R$ 44.804,65 por mês para cobrir suas “despesas do mandato”. No entanto, os números assustam pelo volume e pela falta de transparência sobre o real impacto desses gastos no trabalho parlamentar.
Quem mais gastou o dinheiro do povo?
O campeão de despesas foi o petista Josias Gomes, com R$ 295.924,80 gastos entre janeiro e junho de 2025 — mesmo sem ter sido eleito diretamente nas urnas em 2022, assumindo a vaga deixada por Afonso Florence (PT), atual secretário de Jerônimo Rodrigues.
Na sequência, aparecem Rogéria Santos (R$ 293.947,81) e Daniel Almeida (R$ 287.229,10), completando o pódio dos parlamentares mais generosos com os cofres públicos.
Veja abaixo os 10 deputados federais da Bahia que mais gastaram com a cota parlamentar este ano:
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Josias Gomes (PT) – R$ 295.924,80
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Rogéria Santos (Republicanos) – R$ 293.947,81
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Daniel Almeida (PCdoB) – R$ 287.229,10
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Joseildo Ramos (PT) – R$ 277.777,90
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Paulo Azi (União Brasil) – R$ 276.691,61
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Claudio Cajado (PP) – R$ 272.880,37
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Antonio Brito (PSD) – R$ 272.825,57
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Gabriel Nunes (PSD) – R$ 271.515,94
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Lídice da Mata (PSB) – R$ 266.622,50
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Arthur Maia (União Brasil) – R$ 263.134,93
Regalias bancadas pelo contribuinte
A Cota Parlamentar permite que o deputado utilize o recurso público para despesas como:
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Passagens aéreas;
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Aluguel de escritórios;
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Conta de luz, água e telefone;
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Alimentação pessoal;
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Hospedagens (exceto em Brasília);
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Locação de veículos e combustível (até R$ 9.392,00/mês);
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Segurança privada (até R$ 8.700,00/mês);
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Divulgação de atividades (exceto em ano eleitoral);
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Participação em cursos e congressos;
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Complemento do auxílio-moradia (até R$ 4.148,80/mês).
Mas, na prática, boa parte desses recursos é gasta com itens cuja utilidade real para o eleitor é questionável. Além disso, muitos parlamentares mantêm estruturas duplicadas, com gabinetes em Brasília e escritórios alugados na Bahia — gerando gastos que somam centenas de milhares de reais.
Crise para o povo, privilégios para a elite política
Enquanto famílias baianas enfrentam desemprego, insegurança alimentar e serviços públicos precários, parlamentares de todos os partidos seguem ampliando suas benesses, muitas vezes sem entregar resultados concretos à população.
O que deveria ser uma verba para fortalecer a atuação do deputado em benefício do povo, transformou-se em um cheque em branco, usado com pouca fiscalização e quase nenhuma prestação de contas efetiva.
Em tempos em que se discute cortes de gastos, reforma tributária e contenção de despesas, a farra da cota parlamentar deveria estar no centro do debate político — mas, convenientemente, segue fora dos holofotes.

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