O clima de tensão que marcou a votação da legalidade da prisão preventiva do deputado estadual Binho Galinha (PRD), na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA), também se refletiu nas conversas internas entre os parlamentares. Antes da sessão, um episódio envolvendo o deputado Leandro de Jesus (PL) gerou desconforto dentro do grupo de oposição da Casa, após ele justificar sua ausência no plenário afirmando que o caso se tratava de um “problema do PT”.
A mensagem foi enviada por Leandro de Jesus em um grupo de WhatsApp da bancada oposicionista. Segundo fontes ouvidas pelo Bahia Notícias, o deputado informou que estava cumprindo uma agenda no extremo sul do estado, organizada com antecedência, e que, se não fosse esse compromisso, teria comparecido à votação. No entanto, na mesma mensagem, o parlamentar destacou que Binho Galinha “fez campanha para Jerônimo Rodrigues (PT)” e que a base governista deveria resolver a situação.
“Amigos, estou no extremo-sul em uma agenda organizada há meses. Só retorno na segunda-feira. Não estarei na AL-BA, estaria presente se não fosse a agenda. Entretanto, o caso Binho Galinha é problema do PT e de sua base, eles aprovam o que querem e travam o que querem na Casa. Binho Galinha é da base deles e fez campanha com e para Jerônimo. Eles que resolvam”, escreveu o deputado no grupo.
A justificativa causou incômodo entre membros da oposição. Um parlamentar do bloco, em conversa reservada com a reportagem, afirmou que o caso “era delicado” e deveria ser tratado de forma coletiva, já que envolvia a imagem do Parlamento.
“Em uma situação como essa, o problema é do Parlamento. É um caso desconfortável e delicado, seria melhor resolver enquanto um grupo”, comentou a fonte.
Além de Leandro de Jesus, outros nove deputados se ausentaram da sessão que manteve a prisão preventiva de Binho Galinha. São eles: Diego Castro (PL), Eduardo Salles (PP), Fátima Nunes (PT), Ludmilla Fiscina (PV), Marquinho Viana (PV), Penalva (PDT), Raimundinho da JR (PL) e Roberto Carlos (PV).
A votação, realizada na última sexta-feira (10), teve 34 votos pela manutenção da prisão, 18 pela revogação e uma abstenção. Conforme o regimento interno, a AL-BA deve comunicar a decisão à Justiça em até três sessões, confirmando a continuidade da detenção do parlamentar.
Preso desde 3 de outubro, após dois dias foragido, Binho Galinha é investigado por liderar uma organização criminosa com atuação em Feira de Santana. A operação Estado Anômico, conduzida pela Polícia Federal, aponta o grupo como responsável por crimes como lavagem de dinheiro, obstrução da Justiça, jogo do bicho, agiotagem, tráfico de drogas e comércio ilegal de armas.
A votação apreciou apenas a constitucionalidade da prisão, sem julgar o mérito das acusações. A sessão foi conduzida pela presidente da AL-BA, deputada Ivana Bastos (PSD), e transcorreu em meio a um ambiente de forte pressão política dentro e fora do plenário.
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