A forte retração no preço do cacau colocou o setor produtivo do sul da Bahia em estado de atenção e abriu oficialmente o calendário 2026 das Câmaras Setoriais do estado. Atualmente, a arroba é comercializada em torno de R$ 165, depois de ter ultrapassado R$ 1.000 em 2024. A queda acumulada em pouco mais de um ano supera 80 por cento e provoca impactos diretos na renda dos produtores.
O movimento de baixa ocorre após um período de valorização expressiva impulsionado por problemas de oferta global, especialmente em países africanos produtores. Com a recomposição da produção internacional e ajustes no mercado, os preços recuaram de forma acentuada.
Primeira reunião foca na cadeia do cacau
A abertura dos debates acontece na terça feira, das 9h às 12h, em formato virtual, com pauta voltada exclusivamente para a cadeia cacaueira. A programação segue ao longo da semana com discussões sobre sisal, dendê e citrus, ampliando o diálogo para outras culturas estratégicas da agropecuária baiana.
Os encontros reúnem representantes do governo estadual, produtores rurais, cooperativas, entidades setoriais e integrantes da sociedade civil. O objetivo é construir propostas concretas para enfrentar o cenário de instabilidade e fortalecer a competitividade das cadeias produtivas.
Estratégias para enfrentar a crise
Entre os principais pontos da agenda estão medidas de controle de pragas, ampliação do uso de tecnologia no campo, acesso a crédito, agregação de valor e expansão de mercados internos e externos. A intenção é estruturar políticas públicas que reduzam os efeitos da volatilidade de preços e ampliem a sustentabilidade econômica do setor.
O secretário estadual da Agricultura, Pablo Barrozo, destacou que o fortalecimento das Câmaras Setoriais faz parte de um termo de cooperação firmado com a Fundação Luís Eduardo Magalhães. A iniciativa prevê a reestruturação e implantação de até 22 fóruns permanentes de debate em diferentes segmentos do agronegócio.
Espaço permanente de articulação
Coordenadas pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura, as Câmaras Setoriais funcionam como instâncias de diálogo contínuo entre poder público e setor produtivo. A proposta é acompanhar de forma sistemática os desafios do campo ao longo de 2026 e antecipar soluções para evitar impactos mais severos na economia rural.
No caso do cacau, a discussão ganha peso adicional por se tratar de uma cultura histórica e estratégica para o sul da Bahia, responsável por geração de empregos, renda e movimentação da economia regional.
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