A campanha publicitária da marca Havaianas para a virada de ano de 2025 em 2026, estrelada pela atriz Fernanda Torres, tornou-se alvo de críticas intensas e pedidos de boicote nas redes sociais. O ponto central da polêmica é uma frase do comercial em que a atriz afirma que não quer que as pessoas “comecem o ano com o pé direito”, sugerindo em seguida que o ideal é entrar “com os dois pés” na nova etapa, simbolizando ação, intensidade e energia para o ano vindouro.
Segundo a empresa responsável pela campanha, a mensagem faz parte de uma estratégia mais ampla de comunicação que celebra o espírito otimista e ativo de começar o ano novo com iniciativa e entusiasmo. A diretora de marketing da Havaianas afirmou que a proposta vai além de um trocadilho e busca transmitir a energia positiva que caracteriza o DNA da marca, incentivando o público a entrar no novo ano de maneira completa e vibrante.
No entanto, a interpretação de partes do público, especialmente no campo político mais conservador, foi distinta. Políticos de direita e influenciadores denunciaram o texto publicitário como uma suposta provocação ideológica, afirmando que a expressão “não começar com o pé direito” teria conotação política e seria uma crítica ao campo ideológico contrário a certas posições. Alguns chegaram a propor e incentivar boicotes à marca, incluindo vídeos mostrando calçados da Havaianas sendo jogados no lixo ou destruídos.
Figuras como o ex deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) publicaram declarações e vídeos criticando a campanha e associando a Havaianas a uma mensagem contra o campo ideológico conservador, chegando a defender que consumidores migrem para marcas concorrentes.
A repercussão negativa levou a marca a restringir temporariamente os comentários em sua publicação oficial no Instagram, medida que refletiu a intensidade dos debates nas redes sociais. Ao mesmo tempo, a campanha também recebeu apoios e elogios de consumidores que interpretaram a mensagem como criativa e inofensiva, ressaltando que expressões populares como “pé direito” e “dois pés” são elementos simbólicos comuns na linguagem publicitária.
A polêmica destaca como campanhas de marketing podem ser interpretadas de maneiras divergentes em um ambiente político polarizado, especialmente em anos eleitorais como 2026. Enquanto a Havaianas buscava transmitir uma mensagem de otimismo e protagonismo pessoal para o novo ano, setores críticos ampliaram a leitura para um suposto posicionamento político, transformando um slogan em símbolo de debates ideológicos.
A estratégia criativa da campanha se apoia no uso de trocadilhos e metáforas para reforçar a ideia de intensidade e energia na virada do ano, com veiculação em diferentes plataformas como televisão, redes sociais, ambientes públicos e mídia digital. A peça integra um conceito maior de comunicação da marca, que tradicionalmente utiliza referências culturais brasileiras e um tom leve e descontraído em seus anúncios.
Independentemente das interpretações, a repercussão da campanha demonstra a importância de considerar os diferentes contextos culturais e políticos em que mensagens publicitárias circulam. Em um cenário de polarização, elementos aparentemente neutros podem ganhar significados políticos ampliados, levando a reações fortes de segmentos específicos do público. Essa dinâmica reflete as tensões atuais entre cultura, mercado e política no Brasil.

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