A Bahia superou o Rio de Janeiro e assumiu a liderança nacional em mortes resultantes de ações policiais, segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), órgão vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.
De janeiro a setembro de 2025, o estado registrou 1.252 mortes provocadas por intervenções policiais, número mais que o dobro do observado no Rio de Janeiro no mesmo período. O levantamento revela que a Bahia apresenta uma média de 11,2 mortes por 100 mil habitantes, ficando atrás apenas do Amapá, que lidera proporcionalmente com 20,3 mortes por 100 mil habitantes.
Os dados reforçam um quadro preocupante: de acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, tanto o Amapá quanto a Bahia figuram entre os estados mais violentos do país.
Mortes violentas e principais causas
Além da letalidade policial, a Bahia também lidera o índice de mortes violentas intencionais, com 4.255 casos registrados até setembro.
O número supera o de estados populosos como Rio de Janeiro (3.201) e São Paulo (2.589).
As ocorrências mais comuns incluem homicídios dolosos, feminicídios e mortes decorrentes de intervenção policial, compondo um cenário que ainda desafia o poder público em todas as esferas.
Apesar do quadro alarmante, a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) divulgou nota informando que o estado registrou queda nos índices de violência pelo terceiro ano consecutivo, destacando investimentos em tecnologia e capacitação das forças de segurança.
Jerônimo Rodrigues: “É preciso mudar uma cultura de 200 anos”
Diante da repercussão dos dados, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) comentou o assunto em entrevista ao UOL e reconheceu que o estado enfrenta desafios históricos no setor de segurança.
“Estamos enfrentando um modelo e uma cultura de polícia de 200 anos. É um processo que precisa ser revisto desde a formação, desde o concurso público, com uma capacitação moderna e uma lei rigorosa e firme para quem sair do padrão ético e técnico da corporação”, afirmou o governador.
Jerônimo destacou ainda que o governo tem buscado alinhar controle interno, formação humanizada e ações de inteligência policial como caminhos para reduzir a letalidade e fortalecer o vínculo de confiança entre a população e as forças de segurança.
Um desafio histórico para a segurança pública
O avanço da violência e a alta letalidade policial na Bahia colocam o estado diante de um dilema estrutural: equilibrar o combate ao crime com o respeito aos direitos humanos e à vida.
Enquanto o governo defende mudanças profundas na formação dos agentes, especialistas reforçam que a transparência, o controle externo e o investimento em políticas sociais são fundamentais para reverter o cenário.
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