Uma fala polêmica do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), provocou forte repercussão nesta segunda-feira (5), ao sugerir que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus apoiadores fossem “levados para a vala”. A declaração, feita durante uma coletiva de imprensa no Parque de Exposições, em Salvador, durante a entrega de ambulâncias e veículos administrativos, foi criticada por setores da oposição e resultou no protocolo de um pedido de impeachment por parte do deputado estadual Leandro de Jesus (PL).
No documento entregue à Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA), Leandro de Jesus afirma que a manifestação do governador "reveste-se de conteúdo simbólico e literal de incitação à violência, extrapolando os limites da liberdade de expressão". O parlamentar destaca que a utilização de expressões como retroescavadeiras e valas comuns remete a práticas de extermínio e violam diretamente os princípios constitucionais da dignidade humana, da liberdade de consciência e do pluralismo político.
“Ao sugerir que tais eleitores sejam levados ‘para a vala’ por meio de uma retroescavadeira, o Governador ultrapassa os limites do discurso político e atenta frontalmente contra princípios fundamentais do Estado Democrático de Direito”, afirmou o deputado no texto.
O pedido baseia-se no Artigo 106 da Constituição do Estado da Bahia, que define como crimes de responsabilidade os atos do governador que atentem contra a Constituição Federal ou Estadual, incluindo, entre outros, “o exercício dos direitos políticos, sociais e individuais”.
Diante da repercussão negativa, Jerônimo Rodrigues se pronunciou pedindo desculpas. O governador reconheceu o tom pesado da fala e justificou que foi movido por forte emoção diante do contexto político atual.
“Se o termo 'vala' e o termo 'trator' foi pejorativo, foi muito forte, eu peço desculpas. O termo não foi a intenção. Eu não tenho problema algum em registrar quando há excessos na palavra, movido por indignação”, declarou Jerônimo, em entrevista à imprensa.
Apesar das desculpas públicas, a crise política está instalada. O pedido de impeachment agora será analisado pela Mesa Diretora da Assembleia Legislativa, que decidirá se o processo terá continuidade ou será arquivado. Nos bastidores, a expectativa é de que o episódio gere intensos debates políticos nos próximos dias, especialmente em um momento de alta polarização entre os grupos ligados ao ex-presidente Bolsonaro e os apoiadores do governo estadual.

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