O combate ao crime organizado voltou ao centro da política baiana nesta semana após a megaoperação policial no Rio de Janeiro, que resultou em mais de 120 mortos, entre eles integrantes de facções com atuação na Bahia. O episódio reacendeu o debate sobre a segurança pública no estado e colocou o governador Jerônimo Rodrigues (PT) novamente sob pressão.
Em entrevista ao bahia.ba, o deputado federal Capitão Alden (PL), líder da oposição na Câmara e membro da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, afirmou que a convocação de Jerônimo para depor na CPI do Crime Organizado, em andamento no Senado, será uma oportunidade para que o petista explique “por que a Bahia se tornou o epicentro da violência no país”.
“Nos últimos anos, o estado lidera o ranking nacional de homicídios, com recordes sucessivos de mortes violentas e o domínio crescente de facções — um retrato do fracasso das políticas de segurança do governo estadual”, declarou Alden.
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O parlamentar defendeu que a CPI aprofunde a investigação sobre a estrutura do crime no estado. “É hora de entender como o crime se organizou na Bahia, quais foram os erros estratégicos e se houve omissão, leniência ou conivência política”, completou.
Operação Freedom e críticas ao governo
Na última terça-feira (4), a Polícia Civil da Bahia deflagrou a Operação Freedom, que resultou em 38 prisões e na morte de um suspeito. A ação teve como alvo uma organização criminosa ligada ao Comando Vermelho, com ramificações em diversos municípios.
O resultado foi celebrado publicamente pelo presidente Lula e pelo governador Jerônimo Rodrigues, o que gerou novas críticas da oposição. Para Alden, o mérito da operação é exclusivo das forças policiais.
“É curioso ver Lula e Jerônimo comemorando, como se de repente tivessem descoberto que o crime organizado existe. Onde estavam quando as facções avançaram sobre comunidades, estradas e presídios?”, questionou o deputado.
Alden comparou ainda a operação baiana com a realizada no Rio de Janeiro, destacando o uso de inteligência e o planejamento das forças de segurança fluminenses.
“No Rio, a PM enfrentou um cenário de guerra urbana, com criminosos armados com fuzis, metralhadoras e drones. Em uma única ação, foram apreendidos 91 fuzis — número que a Bahia só alcançou depois de um ano inteiro de operações”, pontuou.
Sobre a Operação Freedom, o parlamentar classificou a ação como “pontual” e de baixo impacto.
“O que não dá é para o governo tentar capitalizar politicamente em cima do trabalho de policiais que arriscam a vida, enquanto corta investimentos e protege criminosos com discursos ideológicos”, concluiu Alden.
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