Tem alguma coisa nesse comportamento de Jaques Wagner que ainda continua obscura. Falo da diminuição das penas dos condenados pela tentativa de golpe de Estado com a aprovação do texto da dosimetria pelo Senado.
Wagner é o líder do governo Lula 3 na Casa Legislativa. Mesmo sabendo da posição contrária do presidente Lula, fez um acordo com o líder da oposição, senador Rogério Marinho (PL-RN). O clã Bolsonaro penhoradamente agradece.
Fica difícil acreditar que um político como Jaques Wagner, líder do governo na Câmara Alta, faria um acordo com o bolsonarismo em torno de uma proposta que tem como maior opositor o petista-mor, o chefe do Palácio do Planalto, seu companheiro de priscas eras.
Mesmo sabendo da posição do presidente, radicalmente contra a dosimetria, Wagner fez um acordo com o líder da oposição sem sequer consultá-lo. O staff do lulopetismo, com destaque para Gleisi Hoffmann, ministra das Relações Institucionais, ficou espantado.
A opinião de que Jaques Wagner não tem mais condições de ser o líder do governo na Casa Legislativa toma conta do lulopetismo, que não enxerga outra saída que não seja a sua destituição.
Lembrando ao caro e atento leitor que a oposição, como contrapartida à diminuição das penalidades, sendo o beneficiado-mor Jair Messias Bolsonaro, ajudou a aprovar no Senado a redução de benefícios fiscais, livrando o governo de cortar R$ 20 bilhões no orçamento.

“Primeiro degrau”, disse o senador presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) assim que soube da aprovação da dosimetria, deixando nas entrelinhas que o segundo degrau vai ser a elegibilidade do pai.
O bom conselho para o senador Jaques Wagner é abrir os olhos para sua reeleição, sob pena de não permanecer por mais oito anos no Senado da República, como é do seu legítimo desejo.
Certo mesmo, dado como favas contadas, é a eleição de Rui Costa (PT) para uma das duas vagas ao Senado. Todas as pesquisas de intenções de voto apontam o ex-governador na dianteira, com uma frente significativa em relação ao segundo colocado.

E tem mais: a maioria esmagadora dos prefeitos do PSD, que foi a legenda que mais elegeu chefes do Poder Executivo na última sucessão municipal, no total de 115 alcaides, vai fazer campanha para o senador Angelo Coronel (PSD-reeleição), ficando como segunda opção Rui Costa ou um candidato do netismo.
Nos bastidores, longe dos holofotes e do povão de Deus, a opinião que prevalece entre os gestores do PSD é a de que a majoritária puro-sangue petista, idealizada por Wagner, defenestrando o Coronel, sem dó nem piedade, é um desrespeito ao partido, que é um dos principais da base aliada e imprescindível à reeleição do governador Jerônimo Rodrigues (PT).
Como não bastasse a revolta dos prefeitos do PSD, Jaques Wagner, com o acordo com a oposição em torno da dosimetria, conseguiu irritar o PT mais à esquerda e o mais antibolsonarista.

Concluo dizendo que a reeleição de Jaques Wagner passa a ser uma grande incógnita. O ainda líder do governo Lula no Senado vem atirando no próprio pé.
Comentários: