O problema é que a maioria dos parlamentares se acha acima da lei. Além de cometer graves delitos, ainda debocha da Justiça, seja com palavras ou gestos.
Um bom exemplo é o da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), que foi presa ontem, terça-feira, 29, na Itália, pela Polícia Federal.
Zambelli contratou um hacker para invadir os sistemas do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) com o objetivo de emitir um falso mandado de prisão contra Alexandre de Moraes, ministro do STF.
A parlamentar, cujo abrigo partidário é o mesmo do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL), foi condenada a dez anos de prisão pela Primeira Turna da instância máxima do Poder Judiciário.
Que coisa, hein! Os parlamentares cometem delito, desdenham da lei, passam por cima do decoro parlamentar, e querem ficar impunes, como se a cadeia fosse só para pessoas comuns.
Zambelli, diante da lei, do ordenamento jurídico, do "dura lex, sed lex", de que a lei é dura, mas é a lei, é igual a todos. Tem que enxergar o sol quadrado, como diz a sabedoria popular.
Agora é esperar a posição da Justiça da Itália em relação ao pedido de extradição, já que a parlamentar tem cidadania italiana.
Debocham, debocham, debocham da Justiça. Se comportam como "leões", depois viram "gatinhos". Veja o exemplo de Bolsonaro. O ex-morador do Alvorada, ao ficar tête-à-tête, frente a frente com Alexandre de Moraes, fez até o ministro dar risada com a brincadeirinha do convite para ser seu vice na sucessão de Lula (PT), se esquecendo até da inelegibilidade decretada pelo TSE.
Os que se acham acima da lei são fervorosos adeptos do "dura lex, sed latex", expressão usada pelo saudoso escritor Fernando Sabino. A lei estica, é flexível para os ricos e os que exercem cargos de poder.
Concluo dizendo que o "dura lex, sed latex" fere de morte o preceito constitucional de que "todos são iguais perante a lei".
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