O que existe entre Flávio Bolsonaro (PL) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) é muito cinismo e teatro. É um tapeando o outro. A desconfiança é recíproca e na mesma intensidade.
O que faz o governador de São Paulo se aproximar do número 1 é a dependência política. O mesmo raciocínio vale para o primogênito do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro.
Tarcísio, que busca a permanência no comando do Palácio dos Bandeirantes por mais quatro anos, não esquece das manobras do clã Bolsonaro para tirá-lo da disputa presidencial, tendo como vice Michelle Bolsonaro.
Depois de defenestrar à pré-candidatura de Tarcísio à sucessão de Lula, Flávio, para tê-lo ao seu lado na campanha, tratou logo de dizer que, se eleito, não seria candidato à reeleição.
"Quero entrar para a história mesmo que como um presidente de transição", disse Flávio ao lado de Tarcísio, que já deixou bem claro sua intenção de disputar o pleito de 2030.
Ora, ora, até as freiras do convento das Carmelitas sabem que essa conversa de ser contra à reeleição é pra boi dormir. E vaca também. Diria até que toda a boiada. Se elegendo presidente, Flávio é candidato a um segundo mandato no outro dia.
Se não for o próprio número 1 candidato à reeleição, será o pai Jair Messias Bolsonaro, que terá sua elegibilidade restabelecida, via Congresso Nacional, com a iniciativa partindo do Senado.
O projeto político da família Bolsonaro é personalista. Primeiro um Bolsonaro, depois outro Bolsonaro. Com efeito, os bolsonaros não consideram a ex-primeira-dama Michelle como uma "Bolsonaro". É apenas uma madrasta.
O clã Bolsonaro quer enterrar a direita que não é bolsonariana. Se fosse para escolher entre à reeleição de Lula e a eleição de Ronaldo Caiado (PSD), não hesitaria em torcer pelo petista-mor.
Tarcísio de Freitas não é tão ingênuo a ponto de acreditar que Flávio Bolsonaro vai abrir mão da reeleição se for eleito para o cargo mais cobiçado do Poder Executivo.
Na política, a certeza anda de mãos dadas com a incerteza. É melhor crer na existência da mulher de sete metros que perambulava na rodovia Itabuna-Ilhéus, completamente nua, do que na palavra dos políticos, deixando de fora as pouquíssimas e honrosas exceções.
Vou mais longe ainda: Tarcísio de Freitas prefere o quarto mandato de Lula do que a eleição de Flávio Bolsonaro. A derrota do número 1 significaria o enfraquecimento da direita bolsonarista, como consequência o fortalecimento da direita tarcisista.
Tarcísio de Freitas e o clã Bolsonaro caminham para um inevitável confronto político. É só uma questão de tempo, que além de inexorável é senhor da razão.
PS - O bolsonarismo não pensa na direita como um segmento ideológico. O projeto político é puramente familiar. A verdadeira e autêntica direita é a bolsonarista, a que acredita que Jair Messias Bolsonaro é mesmo um "mito".
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